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Conexão melhor entre áreas do cérebro é chave para inteligência, sugere estudo

Diferenças favorecem pensamento focado em informações mais importantes

Bryan Alexander/Flickr
Compreender os fundamentos do pensamento humano é algo que fascina tanto cientistas quanto leigos. As diferenças nas capacidades cognitivas - e os efeitos resultantes, por exemplo, no sucesso acadêmico ou nas carreiras profissionais - são atribuídas a um grau considerável de diferenças individuais em termos de inteligência. Um estudo recém-publicado na revista Scientific Reports mostra que essas diferenças estão associadas aos padrões de integração entre diferentes módulos funcionais do cérebro. Kirsten Hilger, Christian Fiebach e Ulrike Basten, do Departamento de Psicologia da Universidade Goethe de Frankfurt, combinaram imagens cerebrais de ressonância magnética funcional de mais de 300 pessoas com modernos métodos gráficos de análise de redes para investigar as bases neurológicas da inteligência humana.

Já em 2015, o mesmo grupo de pesquisa publicou um meta-estudo na revista científica Intelligence, no qual identificaram mudanças de ativação de regiões cerebrais - dentre elas, o córtex pré-frontal - que estão confiavelmente associadas a diferenças individuais de inteligência. Até recentemente, no entanto, não era possível examinar como essas tais “áreas da inteligência” no cérebro humano estão funcionalmente conectadas.

No início deste ano, a equipe de pesquisa relatou que, em pessoas mais inteligentes, duas regiões cerebrais envolvidas no processamento cognitivo de informações relevantes para a realização de tarefas (ou seja, a ínsula anterior e o córtex cingulado anterior) possuem uma conexão mais eficiente com o resto do cérebro. Outra região do cérebro, a área de junção entre córtex temporal e parietal, que foi relacionada a capacidade de “blindar” pensamentos contra informações irrelevantes, possui uma conexão menos eficaz ao resto da rede cerebral. “As diferenças na inserção topológica dessas regiões na rede cerebral poderiam tornar mais fácil às pessoas mais inteligentes distinguir entre as informações importantes e as irrelevantes - o que seria vantajoso para muitos desafios cognitivos”, propõe Ulrike Basten, principal pesquisadora do estudo.

No estudo atual, os pesquisadores consideram que o cérebro se organiza funcionalmente em módulos. “É similar a uma rede social, que consiste de múltiplas sub-redes (família ou círculo de amigos, por exemplo). Dentro dessas sub-redes ou módulos, as conexões dos membros de uma família uns com os outros são mais fortes do que as conexões com pessoas de outras famílias ou círculos de amigos. Nosso cérebro é organizado funcionalmente de forma bastante similar: existem sub-redes de regiões cerebrais - os módulos - que são mais fortemente interconectados uns com os outros, enquanto possuem conexões mais fracas com as regiões de outros módulos. Em nosso estudo examinamos se o papel de regiões específicas do cérebro para comunicação dentro e entre módulos cerebrais varia segundo diferenças individuais de inteligência - ou seja, se uma região cerebral específica suporta a troca de informação dentro de sua própria “família” mais do que a troca com outras “famílias”, e como isso se relaciona a diferenças individuais na inteligência”, diz basten.

O estudo mostra que, em pessoas mais inteligentes, certas regiões estão claramente mais fortemente envolvidas na troca de informação entre diferentes sub-redes do cérebro, para que informações importantes sejam comunicadas rápida e eficientemente. Por outro lado, a equipe de pesquisa também identificou regiões cerebrais que estão mais fortemente “dissociadas” do resto da rede em pessoas mais inteligentes. Isso pode resultar em uma proteção melhor contra dados distrativos e irrelevantes. “Assumimos que as propriedades da rede que identificamos em pessoas mais inteligentes nos ajudam a focar mentalmente e ignorar ou suprimir informações irrelevantes e potencialmente dispersoras”, diz Basten. As causas dessas associações continuam sendo uma questão em aberto. “É possível que, devido a predisposições biológicas, alguns indivíduos desenvolvam redes cerebrais que favorecem comportamentos inteligentes ou tarefas cognitivas mais desafiadoras. Contudo, é igualmente possível que o uso frequente do cérebro para tarefas cognitivamente desafiadoras possa influenciar positivamente o desenvolvimento de redes cerebrais. Dado o que sabemos atualmente sobre inteligência, uma interação entre ambos os processos parece mais provável.”

Universidade Goethe de Frankfurt
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