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10 de setembro de 2009
Congelamento do óvulo, por enquanto só na novela
Esse procedimento, com taxa de aproveitamento aceitável, ainda não é uma realidade. Estamos muito distantes de poder assegurar uma gravidez futura com o emprego dessa técnica.
 
© ISTOCKPHOTO/MARTIN LLADO
Exame de ultrassom: congelamento não garante gravidez
Na novela atualmente exibida pela Rede Globo, a personagem Ruth é uma mulher moderna, madura e sem companheiro, que congelou seus óvulos para poder ser mãe no momento certo. A ocasião chegou e ela foi em busca de um pai para o filho, fez todos os procedimentos e engravidou. Sua personagem influenciou a amiga Ciça, que também já optou pelo congelamento... “E, além de Ciça, a personagem e a novela influenciaram milhares de telespectadoras, que ao assistirem à novela ─ muito superficial na abordagem da reprodução humana assistida ─ compram a idéia equivocada de ‘congele os seus óvulos hoje e garanta seu bebê no futuro’”, observa o ginecologista Joji Ueno, diretor da Clínica GERA, especializada em tratamentos de restauração da fertilidade.

A mulher nasce com 1 milhão a 2 milhões de óvulos, mas só cerca de 500 amadurecem. Os demais regridem e são absorvidos pelo organismo, a partir da puberdade. Quando não fecundados, são mensalmente expelidos. O período fértil de cada mulher é bastante variável, mas, em média, inicia-se por volta dos 12 ou 14 anos, terminando em torno dos 45 ou 50 anos.

“Porém, é comum que por volta dos 35 anos a produção e a qualidade de óvulos comecem a declinar. Essa é a principal razão para que os médicos alertem as pacientes para os riscos de uma gestação tardia”, ressalta Ueno.
Como a perda da capacidade de ovular é uma consequência natural do envelhecimento, especialistas em Reprodução Humana dispõem de meios para avaliar a produção hormonal e os órgãos reprodutivos femininos: ovários, útero e trompas.

Um dos exames mais conhecidos é o teste que mede, pelo exame de sangue, o hormônio folículo-estimulante (FSH). “Altas taxas de FSH, em dias específicos do ciclo menstrual, podem indicar que ocorreu um declínio na quantidade dos óvulos produzidos”, explica Ueno. Há a possibilidade de avaliar, também por meio do exame de sangue, as taxas de outros hormônios, como o estradiol, o LH e a inibina B. Alterações nos valores dessas substâncias correspondem a quedas na quantidade dos óvulos.

Outro recurso utilizado nessa análise é a ultrassonografia pélvica, que permite ao especialista acompanhar quantos folículos estão sendo estimulados a se desenvolver em cada um dos ovários e quantos deles chegarão à maturidade. “Entretanto, é bom destacar que nenhum desses exames determina a reserva folicular da mulher, ou seja, o número de anos férteis que ela ainda tem. São apenas ferramentas importantes que utilizamos para proporcionar à paciente uma espécie de panorama da fertilidade dela", explica Ueno.
O procedimento para congelar o óvulo é simples, mas exige profissionais especializados e ambiente adequado para o armazenamento. Após exames de rotina, como ultrassom e dosagem hormonal, o especialista avalia se a mulher poderá, futuramente, realizar a fertilização in vitro (FIV). Se for provada nos testes preliminares, a futura mãe é submetida a um processo de estimulação feito com hormônios.
Depois desse período, é preciso impedir a menstruação. Para que isso não aconteça, a paciente recebe, por oito dias, um medicamento que inibe o sangramento menstrual. Só depois disso é que um outro medicamento é ministrado para estimular a ovulação, que passa a ser monitorada pelo médico.

Definida a data da coleta, é feita uma aspiração do maior número possível de óvulos, que serão congelados em nitrogênio líquido.
Segundo Ueno, “apesar de ter sido aprimorada, a técnica de congelamento de óvulos ainda é precária; não há segurança de que o óvulo estará viável para a fertilização após o descongelamento. A técnica é experimental e não é possível garantir à paciente que ela vá engravidar no futuro”.

O congelamento de óvulos sempre foi um desafio na área da reprodução assistida. Os espermatozóides são congelados com sucesso há mais de 50 anos, e os embriões há quase 15. Os óvulos, porém, esbarravam em dificuldades técnicas. Uma delas era que na hora do descongelamento muitos não suportavam o processo e "estouravam". Em média, apenas 10% sobreviviam. Outro problema eram as alterações cromossômicas que apareciam após o processo, o que inviabilizava a sua utilização.

Os casos de gravidez relatados por meio de óvulo congelado no mundo são poucos. "O congelamento do óvulo, com taxa de aproveitamento aceitável para uso rotineiro para preservar a fertilidade, ainda não é uma realidade. Portanto, estamos muito distantes de poder assegurar uma gravidez futura com o emprego desta técnica”, avalia Ueno.
Para saber mais sobre gravidez assistida, acesse www.clinicagera.com.br
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