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Consumo regular de chocolate poderia estar ligado a menor risco de palpitação cardíaca

Associações mais fortes são de uma porção semanal para mulheres e de duas a seis para homens, mostraram os resultados

Shutterstock
O consumo regular de chocolate pode estar associado a um risco menor para desenvolver fibrilação atrial, uma irregularidade rítmica cardíaca associada a ocorrência de palpitações. Foi o que descobriu uma pesquisa publicada online na revista científica Heart.

Segundo sugerem os resultados, o efeito parece ser mais consistente quando o consumo é de uma porção do alimento por semana, no caso das mulheres, e entre duas e seis para homens, também ao longo de uma semana.

A fibrilação atrial afeta mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo, e um entre quatro adultos tem propensão a desenvolvê-la em algum momento de sua vida. Não está claro exatamente qual é sua causa, mas atualmente não há cura, nem ao menos uma forma de prevenção.

Dado que o consumo regular de chocolate, particularmente o amargo, já foi anteriormente associado a melhoras em diversos indicadores de saúde do coração, pesquisadores desejavam ver se o alimento poderia estar ligado a uma taxa menor de fibrilação atrial. Eles analisaram informações de 55.502 participantes (26.400 homens e 29.100 mulheres), com idades entre 50 e 64 anos, obtidas a partir de um estudo longitudinal, o Estudo Dinamarquês de Dieta, Câncer e Saúde.

Os participantes forneceram informações sobre seu consumo semanal usual de chocolate, sendo uma porção o equivalente a 30 gramas. Porém, não foi pedido que especificassem qual tipo de chocolate comiam. Entretanto, a maior parte do chocolate consumido na Dinamarca é ao leite (mínimo de 30% de cacau).

Informações sobre fatores de risco de doenças cardíacas, dieta e estilo de vida - cerca de um em cada três deles fumava - foram obtidas quando os participantes eram recrutados para o estudo. Então, sua saúde era monitorada utilizando dados de registro nacional sobre episódios de tratamento hospitalar e mortes.

Aqueles como maiores níveis de consumo de chocolate tendiam a consumir mais calorias diariamente, como uma proporção maior dessas calorias vindo do chocolate, e a ser muito mais educados que aqueles com níveis menores de consumo do alimento.

Durante o período de monitoramento, que levou em média 13,5 anos, 3346 novos casos de fibrilação atrial foram diagnosticados. Após a contabilização de outros fatores relacionados à doença cardíaca, a taxa de fibrilação atrial recém-diagnosticada foi 10% menor para os que ingeriam de uma a três porções de chocolate por mês, em comparação com a ingestão de menos de uma porção por mês.

A diferença também foi aparente em outros níveis de consumo: 17% menor para uma porção semanal; 20% menor para entre 2 e seis porções semanais; e 14% menos para uma ou mais porções diárias.

Quando os dados foram analisados por sexo, a incidência de fibrilação atrial foi menor entre as mulheres do que entre os homens, independentemente da ingestão do alimento. Mas as associações entre maior ingestão de chocolate e menor risco de palpitação permaneceram, mesmo depois de se considerar outros fatores potencialmente influentes.

As associações mais consistentes para mulheres pareceram ser de uma porção semanal de chocolate (risco 21% menor), enquanto para os homens foram de duas a seis porções (23% menos de risco).

Esse é um estudo de observação, portanto não se podem tirar conclusões sólidas sobre mecanismos de causa e efeito. Nem sobre qual tipo de leite poderia diminuir os níveis dos compostos benéficos no chocolate, os quais se acredita possuírem um papel nas associações favoráveis encontradas entre chocolate e saúde cardíaca.

O chocolate é frequentemente ingerido em produtos de alto teor calórico e que contém gordura e açúcar, que geralmente não considerados bons para a saúde do coração.

Contudo, os pesquisadores dizem que "apesar do fato de que a maior parte do chocolate consumido em nossa amostra provavelmente continha concentrações relativamente baixas dos ingredientes potencialmente protetores, ainda observamos uma forte associação e estatisticamente significativa."

Entretanto, um editorial publicado na mesma edição emitiu uma nota de atenção. Médicos do Centro Duke para Fibrilação Atrial na Carolina do Norte, EUA, ressaltam que os comedores de chocolate no estudo eram mais saudáveis e mais bem instruídos - fatores associados com uma saúde geral melhor - o que pode ter influenciado os resultados.

Em segundo lugar, os pesquisadores não conseguiram levar em conta outros fatores de riscos para fibrilação atrial, tais como doenças renais e problemas para respirar a noite (apnéia do sono). E o estudo incluiu apenas casos diagnosticados de fibrilação atrial, tornando difícil de determinar se o chocolate está associado a um risco menor da irregularidade cardíaca ou apenas à ocorrência dos sintomas mais óbvios do mal, sugerem os editorialistas.

Por último, os níveis sólidos de cacau variam em diferentes partes do mundo, por isso as conclusões podem não se aplicar em países com níveis mais baixos, eles acrescentam.

Mesmo assim, os doutores Sea Pokorney e Jonathan Piccini afirmam: "Independentemente das limitações do estudo dinamarquês sobre chocolate, as descobertas são interessantes e merecem maior consideração, especialmente levando em conta a importância de identificar estratégias de prevenção eficazes [para a fibrilação atrial]", que, até agora, se provaram difíceis de obter.

British Medical Journal
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