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Controle Gratuito de Natalidade Reduz Aborto Drasticamente

Contraceptivos de longa duração e orientação previnem gravidez na adolescência

Katherine Harmon
©Skryl/shutterstock
No início deste ano, o Affordable Care Act nos Estados Unidos, que pode ser traduzido como Ato de Cuidados Acessíveis, passou a exigir que agências de seguro privadas ofereçam contraceptivos gratuitos a clientes. Essa mudança foi um esforço para que o custo não seja obstáculo à opção de controle de natalidade pelas mulheres. A medida pode ter também o benefício adicional de reduzir as taxas de aborto, de acordo com uma nova pesquisa publicada on-line em 4 de outubro, em Obstetrics & Gynecology.

O estudo descobriu que a disponibilidade de contraceptivos gratuitos produziu uma queda na taxa de gravidez adolescente e reduziu em mais de 50% a taxa de abortos entre as participantes. “O impacto de fornecer anticoncepcionais sem custo foi muito maior que esperávamos”, declarou Jeff Peipert, professor de obstetrícia e ginecologia da Washington University em St. Louis, e coautor do estudo.

Para o estudo, Peipert e seus colegas recrutaram 9.256 mulheres adultas e adolescentes na área de St. Louis com idades entre 14 e 45 anos. Todas foram consideradas de risco elevado de gravidez indesejada e queriam evitá-la por pelo menos um ano. Aquelas que decidiram participar do estudo com duração de três anos tiveram a opção de usar métodos de ação curta, como pílulas, anéis vaginais ou adesivos, ou métodos de ação longa reversíveis, como dispositivos intrauterinos (DIUs) ou implantes. O DIU é um pequeno dispositivo em forma de T que é inserido no útero, e o implante é um fino bastão de plástico inserido sob a pele do braço; ambos precisam ser colocados por um médico. As participantes do estudo receberam seu método escolhido (com opção de trocá-lo) gratuitamente. Depois de aprenderem sobre os riscos e benefícios de todos os tipos, 75% das mulheres optou por DIUs ou implantes de ação longa (particularmente por causa de sua baixa taxa de falha, e de não dependerem de doses regulares e da necessidade de procurar reposição).
As taxas de aborto entre as participantes do estudo ficaram abaixo de 7,6 por mil – menos da metade da taxa nacional, de 19,6 por mil. O resultado é ainda mais significativo porque as participantes do estudo pertenciam a grupo de risco mais elevado do que a população em geral. Algumas adolescentes que participaram do estudo tiveram filhos (a maioria de uma gravidez indesejada) a uma taxa menor que um quinto da média nacional: 6,3 por mil no estudo, e 34,3 por mil.

O estudo reforçou as recomendações do Instituto de Medicina de que todos os métodos contraceptivos aprovados pela U.S. Food and Drug Administration estivessem disponíveis às mulheres, sem custo, sob o Affordable Care Act de 2010. O relatório do grupo também apontou que mulheres deveriam receber “muito mais educação contraceptiva, aconselhamento, métodos e serviços, para que possam melhor evitar a gravidez indesejada e aumentar o tempo entre uma gravidez e outra para que os nascimentos ocorram nas melhores condições possíveis”. Os pesquisadores estimam que se um programa semelhante for instalado nos Estados Unidos, mais de 40% dos mais de 1 milhão de abortos anuais seriam evitados (espera-se uma queda um pouco menor porque os participantes do estudo eram um subgrupo de alto risco da população).

“Acreditamos que melhorar o acesso aos anticoncepcionais, especialmente DIUs e implantes e promover a educação sobre os métodos mais eficazes tem o potencial de reduzir significativamente a gravidez indesejada e o aborto no país”, declarou Peipert.

Apesar de os subsídios de controle de natalidade envolverem custos, no longo prazo eles oferecem economia – de acordo com um estudo de 2011 publicado em Contraception, cada 1 milhão de nascimentos indesejados custa US$11 bilhões anuais aos contribuintes. A taxa de gravidez indesejada nos Estados Unidos – 49%, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) – excede em muito o da maioria dos países desenvolvidos. A maioria das mulheres americanas depende de pílulas anticoncepcionais para o controle de natalidade. As pílulas são mais baratas no curto prazo, mas menos confiáveis que DIUs e implantes, que exigem um gasto de pelo menos US$800 mas permanecem eficazes por três anos ou mais. 
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