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Coqueluche afeta crianças britânicas

 Vacinação de reforço poderá conter a propagação da doença respiratória altamente contagiosa

 

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Novo estudo sugere que cerca de 20% das crianças examinadas por seus médicos devido a tosses persistentes de fato podem ter coqueluche.

 
Por Tia Ghose e LiveScience

Cerca de um quinto das crianças atendidas por seus médicos devido a tosses persistentes na realidade podem estar com coqueluche (ou pertussis), sugere um novo estudo.

Os resultados vêm da Inglaterra, onde adolescentes não recebem uma vacina de reforço para a doença altamente contagiosa, como é recomendado nos Estados Unidos.

As conclusões preliminares do estudo sugerem que o reforço pode ser justificado para jovens ingleses, embora ainda sejam necessárias mais pesquisas, salientou o doutor Cameron Grant, um pediatra no Starship Children’s Hospital e na University of Auckland, na Nova Zelândia, que não esteve envolvido no estudo. [Para mais informações, acesse 5 Dangerous Vaccine Myths (5 Mitos Perigosos sobre Vacinas, em inglês).

Insidiosa e mortal

A coqueluche, ou pertussis, pode ser prevenida com a vacina. Mesmo assim, a doença ainda mata quase 300 mil pessoas por ano no mundo, principalmente em lugares onde a imunização não é amplamente utilizada.

Em crianças mais velhas e adultos, os sintomas iniciais se confundem com os do resfriado comum; mas depois que esses desaparecem, a coqueluche provoca uma tosse que pode persistir por semanas. (A pertussis, também conhecida como coqueluche, tosse comprida ou tosse convulsiva, se caracteriza por acessos espasmódicos de tosse seguidos por uma respiração difícil e profunda que provoca um som agudo, parecido com um guincho; o que explica seu nome em inglês: whooping cough).

A doença também é incrivelmente contagiosa: toda pessoa com coqueluche infecta, em média, outras 12, em parte porque os doentes estão em seu pico infeccioso quando parece que só têm um simples resfriado, explicou Grant.

“É uma bactéria insidiosa”, o pediatra declarou à Live Science.

Embora a pertussis seja principalmente um incômodo para adultos saudáveis, ela pode ser fatal entre crianças. Em bebês, a coqueluche pode até não provocar muita tosse antes que o nenê fique pálido ou cianótico (azulado por falta de oxigênio) e pare de respirar.

Além disso, como os sintomas são piores à noite, a doença pode ser difícil de diagnosticar.

“Pais podem passar o maior apuro no meio da noite e levar seu bebê ao médico na manhã seguinte, quando a criança parece estar bem”, observou Grant. Mais tarde, porém, na mesma noite, o bebê ainda pode estar em grave perigo, acrescentou.

Atualmente, há uma epidemia de coqueluche na Califórnia, onde mais de 800 casos foram reportados só nas duas primeiras semanas de junho.

Cronograma de vacinação

Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a maioria das crianças recebe três doses da vacina contra coqueluche durante os primeiros meses de vida, e uma dose de reforço na idade pré-escolar. Crianças americanas ainda recebem uma dose de reforço adicional, o que não ocorre com as britânicas.

“No Reino Unido, o principal objetivo da vacinação no momento é tentar prevenir a transmissão de coqueluche para os mais vulneráveis, como bebês”, declarou a doutora Kay Wang, clínica geral, pesquisadora da University of Oxford, na Inglaterra, e coautora do estudo à Live Science.

Nos Estados Unidos, adolescentes começaram a receber doses de reforço aos 11 ou 12 anos, em 2006, acrescentou Wang. Conforme os autores explicaram no artigo, isso ocorre porque a vacina dada no início da vida só protege por um período de quatro a 12 anos.

Para estimar a prevalência da coqueluche, os pesquisadores testaram fluidos orais de 279 crianças e adolescentes ingleses de5 a15 anos, que tinham visitado seus médicos queixando-se de tosses que persistiram de duas a oito semanas.

De acordo com o estudo, cerca de 20% dos jovens testaram positivos para pertussis — e a maioria estava com suas vacinas em dia.

Vacina para adolescentes?

Desde que a dose de reforço na adolescência foi introduzida nos Estados Unidos, a coqueluche diminuiu nesse grupo etário, sugerem algumas pesquisas.

Em teoria, reduzir os índices de pertussis em jovens e adultos também poderia conter a doença em bebês, que podem contraí-la de irmãos mais velhos e cuidadores. No entanto, de acordo com outras pesquisas, a vacinação de adolescentes americanos não reduziu acentuadamente o número de bebês internados em hospitais com tosse comprida.

De qualquer modo, é importante garantir que “os pequenos” estejam em dia com suas vacinas, observou Grant.

“Precisamos imunizar todos os nossos bebês e crianças pequenas e imunizá-las a tempo”, salientou Grant; acrescentando que, caso contrário, epidemias de coqueluche podem se tornar mais comuns.

As novas constatações foram publicadas em 24 de junho na publicação científica britânica BMJ (antes chamada British Medical Journal).

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Sciam 26 de junho de 2014

 sciambr30jun2014