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Coronavírus mortal é associado a morcegos

Descoberta sugere a fonte do vírus mas não esclarece transmissão para humanos  

Michael Lynch/Shutterstock
Por Beth Mole e revista Nature

Os morcegos foram apontados como uma fonte do coronavírus que infectou 94 pessoas e matou 47 delas desde que apareceu no Oriente Médio, em abril de 2012.

Desde então, uma equipe internacional de pesquisadores encontrou um minúsculo fragmento genético que parece ser do vírus em uma amostra fecal de um morcego da espécie Taphozous perforatus (ou “morcego das tumbas egípcias”). Os cientistas examinaram 96 quirópteros na Arábia Saudita depois que os primeiros casos da síndrome respiratória do Oriente Médio por coronavírus (MERS-CoV, na sigla em inglês) foram relatados no país.

“Embora seja um fragmento curto, mas 100% idêntico, ele indica que se trata do mesmo vírus”, diz o epidemiólogo Ian Lipkin da Columbia University, em Nova York, que liderou o estudo. Sua equipe relatou o resultado no dia 21 de agosto deste ano, na revista Emerging Infectious Diseases.

Como os morcegos são portadores de muitos tipos de coronavírus, acreditava-se, de modo geral, que eles eram a fonte por excelência da MERS-CoV que causa pneumonias agudas em seres humanos. No entanto, os pesquisadores têm tido dificuldades para colher informações que possam ajudá-los a compreender como os vírus se alastra e que animais transmitem a infecção.

Crise de identidade

Lipkin acredita ter provas sólidas de que os morcegos são hospedeiros do vírus. Outros pesquisadores não estão convencidos de que o fragmento que sua equipe identificou confirma a presença da MERS-CoV. Chantal Reusken, uma pesquisadora de doenças infecciosas no Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente em Bilthoven, na Holanda, aponta falhas nos dados que ligam o vírus do morcego à MERS-CoV que infeta seres humanos.

Reusken observa que os autores do estudo só puderam sequenciar um segmento de 190 dos 30 mil nucleotídeos do genoma do coronavírus; sendo que os estudos sugerem que são necessárias sequências de pelo menos 800 nucleótidos para determinar com precisão vínculo de proximidade existente entre vírus.

“Não se pode descartar, de modo algum, a possibilidade de que esta é uma sequência que não foi derivada da MERS-CoV, mas de outro vírus intimamente relacionado”, afirma Reusken.

Patrick Chiu Yat Woo, um especialista em coronavírus de morcegos da Hong Kong University, concorda. “É claro que a descoberta é importante, mas ela precisa ser reproduzida por outros e verificada em outros morcegos”. De acordo com ele, quando um novo coronavírus é encontrado, todo o genoma deve ser sequenciado se possível. No caso de vírus aparentados, pequenas diferenças podem sugerir os tipos de animais que eles infectam.

Com base em resultados de testes sanguíneos de anticorpos, até agora os camelos são os únicos outros animais implicados na propagação da MERS-CoV — mas como poucas pessoas encontram morcegos ou camelos, os pesquisadores suspeitam que outros animais transmitam o vírus para os seres humanos.

Apesar das lacunas nas últimas descobertas, Stanley Perlman, um pesquisador de coronavírus da University of Iowaem Iowa City, diz que a pesquisa é importante já que ela confirma que os morcegos são portadores da MERS-CoV ou de outro vírus próximo. “Com certeza ele é intimamente relacionado, mas não se sabe o quanto”, diz ele.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado originalmente em 23 de agosto de 2013.

 sciam26ago2013