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De cair o queixo: pedaço de cauda de dinossauro é descoberto preservado em âmbar

Descoberta espetacular foi feita em mercado de âmbar em Mianmar

 

Ambas de Royal Saskatchewan Museum (RSM/R.C. McKellar)

Existem momentos – bons momentos – em que um biólogo pode experienciar uma vontade enorme de usar palavras obscenas. Este é um momento assim. Porque cientistas anunciaram na quinta passada, em uma publicação na revista científica Current Biology, que encontraram um pedaço inteiro de uma cauda dinossauro com penas presa em âmbar – penas, carne, osso e tudo mais. É como se a mãe natureza tivesse nos dado um presente de Natal adiantado e dito “de nada, ciência”.

Obrigada, mãe natureza.

De novo, e vale a pena repetir, essas são penas de dinossauro DE VERDADE. Ainda intactas e no lugar, em uma cauda de dinossauro de verdade. Incrível.

Aparentemente, elas possuem uma coloração amarronzada no topo e creme ou branca na ponta, mas é possível que elas tenham sofrido alteração por conta dos 99 milhões de anos que passaram no solo.

Esse espécime quase nos escapou pelos dedos. Quando foi encontrado em um mercado de âmbar em Myitkyina, Mianmar, acreditava-se que era um tipo de planta (talvez porque as penas pareçam um pouco como folhas de samambaia) e foi colocado a venda para ser usado em jóias ou por curiosidade. O autor principal do estudo, Lida Xing, reconheceu sua importância e o salvou de se tornar um pingente que continuaria enterrado na escuridão.

 

Esse fóssil sugere que dinossauros com penas possuíam uma variedade de penas muito maior do que seria possível prever apenas através da observação de pássaros modernos e seu desenvolvimento. Arejadas e flexíveis, elas são mais parecidas com as penas ornamentais dos pássaros modernos do que as penas rígidas e compactas de voo. Se o animal era todo coberto de penas como essas, é bem improvável que ele voasse, segundo os autores.

 

Os cientistas apontam no estudo que essa descoberta é particularmente especial porque, apesar de penas de dinossauros já terem sido encontradas em âmbar antes, nós não sabemos a qual dinossauro elas pertenciam. As oito vértebras e meia encontradas permitiram aos cientistas identificar qual dinossauro de cauda longa as possuía. E aqui está ele: era um jovem da espécie  coelurosauria – membro de um grupo de dinossauros que incluía o  tiranossauro –  que conseguiu simultaneamente sacudir sua cauda (assumindo que ainda estivesse vivo quando ela ficou presa) e fazer alguns macacos sem pelo, que vivem 99 milhões de anos depois, muito felizes.

 

Jennifer Frazer
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