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Decisões da vida pessoal desafiam a lógica científica

Mesmo escolhas humanas aparentemente irracionais podem fazer sentido para a nossa lógica interna

Davide Castelvecchi
Shuterstock
Boa parte do pensamento econômico baseia-se na suposição de que as pessoas sabem o que querem e tomam decisões racionais para conseguir suas metas. Esse comportamento requer que estejam aptas a fazer uma lista dos possíveis resultados de suas ações, ou seja, atribuir uma escala de valores aos acontecimentos.

O valor do resultado de uma decisão, muitas vezes, não corresponde ao seu valor nominal em dinheiro. Digamos que lhe seja oferecida uma aposta justa: você tem a mesma chance de dobrar uma aposta de US$ 1 ou de perdê-la. Pessoas estritamente racionais seriam indiferentes à escolha entre jogar e não jogar: se fizerem uma aposta todos os dias, em média não estarão em situação melhor nem pior com o passar do tempo.

Mas, como diria o capitão Kirk para o Sr. Spock, a realidade quase sempre engana a lógica. Ou como escreveu o matemático suíço Gabriel Cramer, em carta ao colega Nicolas Bernoulli, em 1728, “matemáticos avaliam o dinheiro proporcionalmente ao seu valor e os homens de bom senso, proporcionalmente ao uso que fazem dele”. De fato, muitas pessoas são avessas ao risco: podem menosprezar as chances de ganhar US$ 1 pela garantia de guardar o dólar que possuem, principalmente se este for o único. Eles atribuem mais valor à possibilidade de não jogar que à possibilidade de eventualmente perder. Uma pessoa inclinada para o risco participará pela emoção.

Mais tarde, a idéia de Cramer foi formalizada ─ pelo estatístico Daniel, primo de Bernoulli ─ no conceito de vantagem esperada, um valor implícito atribuído aos possíveis resultados de uma decisão, como verificado na comparação com os resultados de uma aposta. Pessoas avessas ao risco ou inclinadas a ele não são irracionais; ao contrário, tomam decisões racionais baseadas nas próprias vantagens esperadas.

Geralmente os economistas supõem que a maioria das pessoas é racional a maior parte do tempo, o que significa que sabem que as decisões maximizarão a vantagem esperada de suas escolhas. (Naturalmente, para fazer isso é preciso saber avaliar o risco racionalmente, o que, geralmente, as pessoas não sabem.)

Alguns experimentos, no entanto, mostraram que, às vezes, as pessoas são incapazes de listar os resultados de forma consistente. Em 1953, o matemático americano Kenneth May realizou um experimento no qual estudantes universitários deveriam avaliar três possíveis candidatas a noivas, sendo cada uma excelente em diferentes aptidões. Os jovens escolheram inteligência acima de aparência, esta acima de riqueza e riqueza acima de inteligência.