Sciam


Clique e assine Sciam
Notícias

Nova Espécie Descoberta em Águas Profundas

A esponja em forma de harpa é carnívora e vive a mais de 3 km da superfície.

Becky Crew
Créditos das imagens: Site:(c) 2012 MBARI/ Interna(c) 2005 MBARI
Foto de Chondrocladia lyra, esponja carnívora em forma de harpa foi descoberta recentemente na costa da California em profundidades entre 3.300m e 3.500m.  
È possível que se lembre do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI) por descobertas como o caranguejo Yeti , a lula com cotovelos e meu favorito, o verme Chaetopterus pugaporcinus. Agora ele mostra uma nova espécie de esponja carnívora.  

Há 17 anos, Jean Vacelet e Nicole Boury-Esnault do Centro de Oceanologia da Universidade Aix-Marseille da França, forneceram a primeira evidência de que uma esponja poderia ser mais do que uma esponja. Eles haviam descoberto uma nova espécie de esponja de águas profundas vivendo numa caverna marítima a mais de1 kmda superfície do Mediterrâneo. Apesar de incomum, o ambiente mimetizava as condições de seu habitat normal. Isso permitiu aos pesquisadores uma visão sem precedentes dos hábitos alimentares da esponja, e eles observaram quando ela capturava sua presa, pequenos peixes e crustáceos, em vez de absorver bactérias e partículas orgânicas com seu corpo, como faz a maioria das outras espécies de esponja – incluindo outras vivendo na mesma caverna.           

As esponjas de Vacelet e de Boury-Esnault eram do gênero Asbestopluma e pertenciam à família Cladorhizidae de demoesponjas carnívoras – a classe que contém mais de 90% das esponjas do mundo. Desde que relataram sua descoberta em um volume da Nature de 1995, 24 novas espécies de esponjas da família Cladorhizidae, incluindo a incrível esponja árvore de pingue-pongue, já foram descobertas. Mas devido à dificuldade de estudar seu comportamento em profundezas tão incríveis, pesquisadores tiveram poucas oportunidades de descrever aspectos essenciais de suas vidas, particularmente como se reproduzem.

E é aí que o Tiburon e o Doc Ricketts, veículos do MBARI operados por controle remoto (ROVs), entram em cena. Usando essas embarcações de águas profundas, uma equipe de pesquisadores comandada pelo Técnico de Pesquisa Sênior, Lonny Lundsten, descobriu uma espécie de esponja-harpa chamada de Chondrocladia lyra na costa da Califórnia, em profundidades de 3316 a3399 metros.

Como o Mr. Skeleton apontou no Reddit essa semana, ela consegue capturar uma presa, envolvê-la em uma membrana e digerí-la inteira, então ela com certeza tem prioridades que não é conseguir limpar alguma coisa. Com base em várias gravações e em dois grandes espécimes fragmentários trazidos pelos ROVs, a equipe de Lundsten descreveu os ramos verticais e estolhos horizontais que compõem a estrutura básica de harpa da esponja, chamada de palheta, cobertos por ganchos farpados e espinhos. Eles descobriram que várias presas crustáceas ficam presas por esses ramos graças aos ganchos parecidos com velcro, e que em seguida são agressivamente confinados a uma cavidade para serem desmembrados em pequenas partículas digeríveis, o que forneceu evidência direta dos apetites carnívoros da espécie.

A C. lyra pode chegar a até 37cm de comprimento – algo impressionante para uma esponja – e fica ancorada ao solo marinho por uma estrutura chamada de rizoide, que se parece com um sistema de raízes. Elas podem ter entre uma e seis palhetas; cada uma apoia vários ramos verticais equidistantes, e cada um desses ramos termina em uma esfera inchada. De acordo com os pesquisadores, essas esferas produzem pacotes condensados de esperma chamados de espermatóforos, que são liberados nas águas circundantes na esperança de fertilizarem outras esponjas-harpa na área. Cada esponja também tem uma área de desenvolvimento de óvulos ao redor do ponto médio dos ramos, e quando os espermatóforos fazem contato, essas áreas incham quando os óvulos são fertilizados e começam a maturar.

A equipe sugere que a estrutura da esponja-harpa seja feita para garantir a captura do maior número de presas, e também para maximizar suas chances de capturar espermatóforos de outras esponjas-harpa.

“Gravações obtidas quando os ROVs se aproximavam dos espécimes de C. Lyra forneceram informações sobre a diversidade biológica das áreas nas quais as esponjas vivem”, adicionaram os pesquisadores em seu relatório publicado no volume atual de Invertebrate Biology. “Entre os vertebrados coexistentes, estavam anêmonas não identificadas; o coral macio Anthomastus robustus, membros de várias espécies de caneta do mar; e o pepino do mar Paelopadites confundens, além de outro pepino do mar da família Elipidiidae”.

Link para o vídeo da nova esponja-harpa: http://migre.me/bMtgZ 
Nas bancas!                     Edições anteriores                                            Edições especiais                              
Conheça outras publicações da Duetto Editorial
© 2012 Site Scientific American Brasil • Duetto Editorial • Todos os direitos o reservados.
Site desenvolvido por Departamento Multimídia • Duetto Editorial.