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Desmatamento explode na Amazônia

Desflorestamento ilegal atinge níveis mais altos desde 2008, enquanto políticas ambientais sofrem ataque

Shutterstock

De 2015 para cá, cresceu o desmatamento ilegal na Amazônia, fazendo com que a taxa atingisse seu nível mais alto em 8 anos. A descoberta desencadeou preocupações de que o país possa perder uma década de progressos na proteção florestal.

Em uma análise de dados obtidos por satélites publicados em 29 de novembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) estimou que 7.989 quilômetros quadrados de terra — quase cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo — foram desmatados entre agosto de 2015 e julho de 2016. O total foi 29% maior do que no ano anterior e 75% maior do que o registrado em 2012, quando o desflorestamento atingiu uma baixa histórica de 4.571 quilômetros quadrados.

As tendências atuais ilustram um senso crescente de impunidade e de traição entre donos de terras que ainda precisam começar a se beneficiar da agenda de desenvolvimento sustentável, afirma Daniel Nepstad, ecologista que lidera o Instituto Inovação Terrestre, em São Francisco, Califórnia. “Muito se fala sobre melhorar as vidas de fazendeiros e donos de terra se eles pararem de desmatar”, explica Nepstad “e eles ainda estão esperando.”

O Brasil se destacou no cenário mundial por quase uma década depois que o desflorestamento começou a cair em 2005, graças, em parte, a uma melhor execução de políticas ambientais por parte do governo, além de um comprometimento maior das indústrias da carne e da soja de parar com o desmatamento. Mas o sucesso do governo provocou uma reação política. O congresso brasileiro afrouxou as proteções florestais do país em 2012, e muitos políticos brasileiros buscam afrouxá-las ainda mais para promover o desenvolvimento da Amazônia.

Enquanto isso, o país foi abalado por uma recessão econômica e por contínuos escândalos de corrupção política. Isso afastou o dinheiro e a atenção para longe da execução de políticas ambientais, encorajando fazendeiros e comerciantes ilegais de terra a retomar o desmatamento, afirma Paula Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, um grupo ativista de Belém.

Barreto nota que o preço da carne cresceu, bem como o tamanho das áreas sendo desmatadas  — sinal de que os principais envolvidos no jogo estão envolvidos em desmatamento ilegal. Com o governo brasileiro fraco como está, Barreto diz que espera que a própria indústria da carne reforce seus esforços para impedir a venda de gado criado em áreas recém-desmatadas.

Isso seria um ato de interesse próprio, acrescenta, porque a imagem pública da empresa, dentro e fora do país de origem, depende do sucesso contínuo do Brasil em proteger a Amazônia. “No final, isso é ruim para o Brasil, não apenas por conta do meio ambiente, mas também para o mercado da agricultura.”

 

Jeff Tollefson

 

Esse texto foi reproduzido com permissão e publicado originalmente na Nature no dia 29 de novembro de 2016.

 
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