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Proteína leva Parkinson para Células Nervosas

E pode ser o novo alvo de tratamento para desacelerar a doença.

Virginia Hughes e Revista Nature
Shutterstock
Equipe comandada por Virginia Lee, neurobióloga da University of Pennsylvania na Filadélfia, injetou uma versão sintética e proteína α-sinucleína nos cérebros de ratos normais e observou o aparecimento e o agravamento progressivo das principais características da doença de Parkinson. O estudo, publicado em 15 de novembro na Science, sugere que a doença se espalha de uma célula nervosa a outra por uma proteína malformada, em vez de surgir espontaneamente nas células.

A descoberta indica a possibilidade usar um anticorpo que se ligue à α-sinucleína defeituosa quando ela passa de uma células nervosa a outra. “É muito difícil pedir aos anticorpos não apenas que entrem no cérebro, mas que entrem em células”, observa Lee. “Mas agora temos a possibilidade de deter a disseminação. E se pararmos a disseminação, talvez consigamos desacelerar a progressão da doença”.

A ideia de que o Parkinson pode ser disseminado de neurônio para neurônio por uma proteína descontrolada decolou em 2008, quando transplantes de tecido nervoso fetal feitos em pacientes com a doença apresentaram células com os aglomerados característicos da doença. Isso indicou que as células vizinhas doentes tinham, de alguma forma, afetado o tecido transplantado. Estudos subsequentes mostraram que a α-sinucleína pode se espalhar entre células adjacentes e provocar a morte celular.

Permanecia, no entanto, a questão sobre se a α-sinucleína era responsável pela cascata de danos observada no mal de Parkinson. Lee declara que ela e sua equipe agora conhecem as consequências do trânsito de α-sinucleína no cérebro.

“Sabíamos que a transferência de α-sinucleína de uma célula para outra poderia acontecer, mas não sabíamos se ela poderia ter um papel significativo na doença”, observa Tim Greenamyre, diretor do Instituto Pitsburgh para Doenças Neurodegenerativas na Pennsylvania, que não se envolveu no último trabalho. 

Disseminação insidiosa

O mal de Parkinson tem duas características distintas: células nervosas com aglomerados de proteína chamados de corpos de Lewy e uma perda dramática de células nervosas que produzem o mensageiro químico dopamina. Quando a equipe de Lee injetou a α-sinucleína defeituosa em uma parte do cérebro de ratos rica em células produtoras de dopamina, verificou que começaram a se formar corpos de Lewy. Isso foi seguido pela morte de neurônios de dopamina. De acordo com os pesquisadores, células nervosas que se ligavam às células próximas do local da injeção também desenvolveram corpos de Lewy, um sinal de que a transmissão célula-a-célula estava acontecendo.

Greenamyre explica que isso é possível, mas que ainda não foi provado. “Todas as células afetadas descritas neste artigo estavam diretamente em contato com o local da injeção”, aponta ele.

Mesmo assim, seis meses após a injeção, a coordenação de movimentos, força de preensão e equilíbrio haviam se deteriorado nos ratos, ecoando o que acontece em pessoas com mal de Parkinson.

“Isso é realmente extraordinário”, declara Eliezer Masliah, neurocientista da University of California, San Diego. “Executamos esse experimento em laboratório há muito tempo e nunca tínhamos visto efeitos tão dramáticos”. De acordo com Masliah, o estudo dá apoio teórico às empresas de biotecnologia que estão patrocinando testes clínicos com anticorpos de α-sinucleína para o mal de Parkinson. Isso também deve acelerar a pesquisa para descobrir como a proteína entra e sai das células, adiciona ele.

Mas ainda resta pelo menos um mistério: por que os corpos de Lewy aparecem? “O mal de Parkinson não é um transtorno em que alguém injeta sinucleína no seu cérebro”, aponta Ted Dawson, diretor do Instituto de Engenharia Celular da Johns Hopkins University em Baltimore, no estado de Maryland. “Então como se inicia?”

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 15 de novembro de 2012.

 
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