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19 de junho de 2007
Doenças do sangue podem ser provocadas pelo ambiente da célula
Dois estudos apontam defeitos na medula óssea e não nas células como os culpados por doenças sanguíneas conhecida como síndromes mieloproliferativas
por Nikhil Swaminathan
Má vizinhança: o ambiente da célula sanguínea pode ter um papel importante nas doenças do sangue
Pesquisadores acreditam terem desvendado o mistério por trás de uma série de doenças do sangue chamadas síndromes mieloproliferativas – precursoras de distúrbios como a leucemia, provocadas por um excesso de células-tronco. Se comprovada, a descoberta poderá abrir caminhos para a prevenção e tratamento dessas doenças – algumas das quais podem levar a problemas cardíacos, hemorragia e até mesmo à morte.

Por muito tempo os cientistas acreditaram que essas doenças eram causadas pela interrupção do ciclo normal de células-tronco do sangue, que as induzia a se transformar em células progenitoras, uma fase intermediária em que as células-tronco estão programadas para se tornar um determinado tipo de célula de tecido, mas ainda não estão totalmente maduras. No entanto, dois novos estudos publicados esta semana na revista especializada Cell indicam que fatores externos – em vez de células com defeitos – podem ser os culpados. Mais especificamente, os cientistas descobriram que as células-tronco podem não funcionar corretamente devido a defeitos na medula óssea, onde são produzidas.

Nossas descobertas são clinicamente relevantes e podem mudar o diagnóstico e o tratamento dos pacientes no futuro”, diz Louise Purton, do Massachusetts General Hospital em Boston, EUA, e do Peter MacCallum Cancer Center, na Austrália. “O fato de o microambiente (onde as células-tronco são criadas e estocadas) ser o único indutor da doença foi um resultado completamente inesperado. Nossos estudos são os primeiros a demonstrar que isso acontece. Há ainda evidências clínicas que apóiam a tese da influência do microambiente uma vez que alguns pacientes transplantados com células de doadores saudáveis desenvolvem uma doença sanguínea que tem origem no doador, apesar dele permanecer saudável”.

As equipes – de Purton e outra, liderada por Stuart Orkin do Dana - Farber Cancer Institute, de Harvard – determinaram que o microambiente das células poderia induzir as doenças em camundongos cuja medula óssea foi privada de uma das duas proteínas: o receptor gama de ácido retinóico (RARγ) - uma proteína receptora que se liga à vitamina A – e a proteína supressora de tumores retinoblastoma. Em vez de ficar em alerta como as células-tronco normais, até que o organismo precise delas, aquelas em ambientes com deficiência de proteínas se diferenciam em células progenitoras que amadurecem e se tornam globulos brancos ou vermelhos do sangue, ou plaquetas, osteoblastos (células que formam os ossos), ou osteoclastos (células que naturalmente absorvem os ossos), sem se reproduzir.
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