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Dois novos planetas podem reunir condições para vida

O telescópio Kepler descobriu exoplanetas em zona habitável de estrela

David. A. Aguilar/CFA
Ilustração mostra o Kepler-62f, um planeta extrasolar recém-descoberto (em cima) e um corpo semelhante, o Kepler-62e (abaixo, à esquerda). 
Por Ron Cowen e revista Nature

O telescópio Kepler, da Nasa, descobriu dois planetas que são os mais semelhantes em tamanho à Terra já encontrados na zona habitável de uma estrela – a região temperada onde a água pode existir na forma líquida. 

A descoberta, relatada online na Science, demonstra que o Kepler está se aproximando de seu objeto de descobrir um verdadeiro gêmeo da Terra além do Sistema Solar, declara o teórico Dimitar Sasselov, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian em Cambridge, Massachusetts, que é membro da equipe do Kepler.

Os dois planetas orbitam a estrela Kepler-62, que tem cerca de dois terços do tamanho do Sol e fica a cerca de 1200 anos-luz (368 parsecs) do Sistema Solar. O planeta mais externo da estrela, Kepler-62f, tem um diâmetro que é 41% maior que o da Terra e leva 267 dias para circundar sua estrela. O planeta interior, Kepler-62e, tem um diâmetro 61% maior que o da Terra e uma órbita mais curta, de 122 dias.

O Kepler detectou os planetas ao registrar a minúscula redução na luz estelar que ocorre quando um deles passa diante de sua estrela-mãe. Astrônomos usaram essas medidas para calcular o tamanho relativo dos planetas em relação à estrela.

Mundos de distância

No artigo da Science, a equipe do Kepler – conduzida pelo principal pesquisador William Borucki, da Nasa – sugere que os planetas são sólidos, mas podem ser rochosos ou gelados. Mas Sasselov acredita que os dois orbes provavelmente ficam totalmente cobertos por oceanos, com base em sua própria análise ainda não publicada, realizada com seus colegas do Harvard-Smithsonian e do Instituto de Astronomia Max Planck em Heidelberg, na Alemanha. Sua teoria é que os dois mundos são líquidos até o núcleo, ou que têm uma superfície sólida logo abaixo de um oceano mais raso. De acordo com Sasselov, esse último modelo seria mais propício à vida como a conhecemos na Terra, onde a reciclagem de matéria e energia de ventosas hidrotérmicas pode sustentar organismos.

Sasselov aponta que alguma reciclagem também poderia ocorrer em um oceano muito mais profundo devido a depósitos de metano e outros voláteis, presos em uma camada de gelo subterrâneo sob alta pressão que poderia ser liberado no líquido por convecção. Sasselov e dois outros colaboradores descrevem esse modelo em um pre-print no servidor arXiv, que deve ser publicado no Astrophysical Journal.

“Todas” as propriedades dos planetas “são consistentes com ele ser habitável”, declara Lindy Elkins-Tanton, que dirige o departamento de magnetismo terrestre da Carnegie Institution for Science, em Washington capital. No entanto, não é garantido que os dois planetas tenham dióxido de carbono suficiente, um gás estufa, para manter o planeta quente o bastante para que a água de superfície possa exisitr na forma líquida como supõem os pesquisadores, alerta ela.

Jonathan Lunine, cientista planetário da Cornell University em Ithaca, Nova York, declara que é impossível saber a composição dos dois exoplanetas porque cientistas não foram capazes de calcular suas massas. Isso se deve ao fato de o Kepler-62e e o Kepler-62f exercerem um arrastro gravitacional demasiado tênue em sua estrela-mãe para serem detectados por qualquer telescópio existente.

Os planetas também ficam muito distantes do Kepler-62 para que astrônomos usem sua luz para caçar elementos químicos nas atmosferas dos planetas. De qualquer forma, “esses são os planetas mais próximos dos gêmeos da Terra que todos querem ver”, conclui Lunine.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 18 de abril de 2013.

 

 22abril2013