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Três quimioterápicos comuns provocam mutações no DNA, não apenas em camundongos que receberam tratamento, mas também em seus descendentes. A conclusão é de um estudo publicado essa semana pela Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA.
Os resultados sugerem que o genoma de camundongos tratados se desestabilizou, produzindo novas mutações muito tempo após o término da exposição às drogas. Um fenômeno similar foi observado em camundongos expostos à radiação.
O trabalho enfatiza a importância de observarmos os efeitos da quimioterapia, não só em pacientes, mas também nas próximas gerções. Yuri Dubrova, geneticista da University of Leicester, no Reino Unido, que coordenou a pesquisa, porém, adverte contra a extrapolação dos resultados para humanos: “a maioria dos adultos tratados ou é muito idosa para ter filhos ou fica estéril pelo tratamento. Estamos falando, então, de um único grupo: sobreviventes de câncer infantil”.
Um estudo recente, no entanto, não constatou nenhum impacto significativo da radiação ou quimioterapia sobre a taxa de defeitos congênitos em 4.699 filhos de sobreviventes de câncer infantil.
Além disso, crianças submetidas a tratamentos de câncer demorarão anos ou décadas até terem filho. Camundongos vivem apenas cerca de dois anos – e os do estudo de Dubrova se reproduziram poucos meses após exposição às drogas. “Eu teria muito cuidado ao interpretar estes dados”, observa o geneticista. |