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Em homens subférteis, maconha é associada a maior concentração de espermatozóides

Não está claro, porém, se achado pode ser extrapolado para população em geral

Reprodução

Homens que fumaram maconha em algum momento de sua vida têm concentrações significativamente maiores de espermatozóides quando comparados com homens que nunca fumaram maconha, de acordo com uma nova pesquisa liderada pela Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan. O estudo, realizado na Clínica de Fertilidade do Hospital Geral de Massachusetts, também descobriu que não houve diferença significativa nas concentrações de espermatozóides entre atuais e ex-fumantes de maconha.

"Essas descobertas inesperadas destacam quão pouco sabemos a respeito dos efeitos da maconha na saúde reprodutiva, e sobre os efeitos da maconha na saúde em geral", disse Jorge Chavarro, professor associado de nutrição e epidemiologia da Escola Harvard Chan. "Nossos resultados precisam ser interpretados com cautela e eles destacam a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre os efeitos do uso da maconha na saúde."

O estudo foi publicado em 5 de fevereiro de 2019 na revista científica Human Reproduction.

Estima-se que 16,5% dos adultos nos EUA usem maconha, e o apoio ao uso recreativo legal da maconha aumentou dramaticamente nos últimos anos. Compreender os efeitos sobre o organismo associados ao consumo de maconha é importante, dada a percepção crescente de que ela apresenta poucos riscos para a saúde.

Os pesquisadores levantaram a hipótese de que o consumo de maconha estaria associado à piora na qualidade do sêmen. Estudos anteriores sobre a maconha sugeriram que ela está associada a efeitos negativos na saúde reprodutiva masculina, mas a maioria desses estudos se concentrou em cobaias animais ou em homens com histórico de abuso de drogas.

Para este estudo, os pesquisadores coletaram 1.143 amostras de sêmen de 662 homens entre 2000 e 2017. Em média, os homens tinham 36 anos de idade, e a maioria era branca e tinha formação universitária. Além disso, 317 dos participantes forneceram amostras de sangue que foram analisadas para os hormônios reprodutivos. Para coletar informações sobre o uso de maconha entre os participantes do estudo, os pesquisadores utilizaram um questionário auto-relatado que fez aos homens uma série de perguntas sobre seu uso, incluindo se eles já fumaram mais de dois baseados ou a quantidade equivalente de maconha em sua vida e se eles eram fumantes atuais de maconha.

Entre os participantes, 365, ou 55%, relataram ter fumado maconha em algum momento. Destes, 44% disseram que foram fumantes de maconha e 11% se classificaram como fumantes atuais.

A análise das amostras de sangue revelou que os homens que fumaram maconha tiveram uma média de espermatozóides de 62,7 milhões por mililitros de ejaculação, enquanto os homens que nunca tinham haviam utilizado tinham a média de de 45,4 milhões de espermatozóides por mililitro ejaculado. Apenas 5% dos pacientes que fumam maconha tiveram um número de espermatozóides abaixo de 15 milhões / mL (o limite da Organização Mundial de Saúde para os níveis normais), em comparação com 12% dos homens que nunca fumaram maconha.

O estudo também descobriu que, entre os fumantes de maconha, o nível de uso estava associado a níveis mais altos de testosterona sérica.

Os pesquisadores alertaram que há várias limitações potenciais para as descobertas, incluindo que os participantes podem ter subnotificado o uso de maconha dado seu status de droga ilegal durante a maior parte do período do estudo. Eles também enfatizaram que não sabem até que ponto essas descobertas podem se aplicar aos homens na população em geral, já que a população do estudo consistia de homens subférteis em casais que estavam procurando tratamento em um centro de fertilidade. Além disso, eles notaram que existem poucos estudos semelhantes para comparar seus resultados.

"Nossos achados foram contrários ao que inicialmente hipotetizamos. No entanto, eles são consistentes com duas interpretações diferentes, sendo a primeira de que baixos níveis de uso de maconha poderiam beneficiar a produção de espermatozóides devido ao seu efeito sobre o sistema endocanabinóide, que é conhecido por desempenhar um papel na fertilidade, mas esses benefícios são perdidos com níveis mais altos de consumo de maconha", disse Feiby Nassan, principal autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado na Escola Harvard Chan. "Uma interpretação igualmente plausível é que nossas descobertas podem refletir o fato de que homens com níveis mais altos de testosterona são mais propensos a se engajar em comportamentos de busca de risco, incluindo fumar maconha."

ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA HARVARD T.H. CHAN

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