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Embriões de dinossauros descobertos na China

Um local de nidificação produziu os mais antigos restos orgânicos de vertebrado terrestre

 

A. LeBlanc
Ossos de embriões de Lufengosaurus (como esse fêmur, mostrado em seção transversal) produziram novas informações sobre o desenvolvimento de dinossauros.

Por Chris Palmer e revista Nature

 Da revista Nature

Paleontólogos trabalhando na China encontraram a mais antiga coleção de embriões fossilizados de dinossauros até o momento. O tesouro inclui remanescentes de muitos indivíduos em diferentes fases do desenvolvimento, fornecendo uma oportunidade única de investigar o desenvolvimento embrionário de uma espécie pré-histórica.

Robert Reisz, paleontólogo da University of Toronto em Mississauga, Canadá, e colaboradores, descobriram os fósseis de sauropodomorfos em um leito ósseo na região de Lufeng que data do período Jurássico Inferior, de 197 a 190 milhões de anos atrás. O local continha cascas de ovos e mais de 200 ossos desarticulados – os indícios mais antigos conhecidos de filhotes de dinossauros, relatam os pesquisadores online na Nature.

“A maioria de nossos registros de embriões de dinossauros se concentra no período Cretáceo Superior”, explica David Evans, curador de paleontologia de vertebrados do Real Museu de Ontario, em Toronto. “Esse estudo faz um registro detalhado da embriologia dos dinossauros e a coloca mais de 100 milhões de anos no passado”.

Mas, de acordo com os pesquisadores, a idade dos fósseis não é a única coisa notável.

A análise espectroscópica de amostras de tecido ósseo do local de nidificação chinês revelou o material orgânico mais antigo já visto em um vertebrado terrestre. Isso foi surpreendente porque os ossos fossilizados de fêmur eram delicados e porosos, o que os tornava vulneráveis aos efeitos corrosivos do clima e de águas subterrâneas, observa Reisz.

“Isso sugere que outros fósseis de dinossauros podem ter remanescentes orgânicos”, aponta ele. “Mas ainda não os observamos da maneira certa”. 

Marcadores proteicos

Reisz acredita que as complexas proteínas que sua equipe detectou naquele material orgânico sejam colágeno preservado. Como a composição do colágeno varia de espécie para espécie, mais análises poderiam ajudar pesquisadores a comparar os fósseis sauropodomorfos com os de outras criaturas. Eles incluem os poderosos saurópodos, parentes próximos – e talvez descendentes – dos primeiro sauropodomorfos, que pesavam cerca de 100 mil Kg cada, tornando-os os maiores animais que já caminharam sobre a Terra.

Os pesquisadores acreditam que os dinossauros de Lufeng são sauropodomorfos porque são, de muitas maneiras, semelhantes a esqueletos embrionários intactos de Massospondylus, um sauropodomorfo que Reisz desenterrou na África do Sul em 2005. Mas sua análise de fato identifica diferenças fundamentais entre as duas descobertas de fósseis. Os embriões de Lufeng eram menos avançados em termos de desenvolvimento que os embriões de Massospondylus, e eles parecem ser exemplos de um gênero diferente, o Lufengosaurus.

Os embriões também produziram informações que poderiam ajudar pesquisadores a entender como esses sauropodomorfos adultos – dinossauros bípedes com pescoços longos – conseguiam chegar a até nove metros de comprimento, mais que qualquer outro animal terrestre vivo durante seu auge.

Quando os cientistas compararam duas dúzias de ossos femorais de Lufengosaurus de diferentes tamanhos e em várias fases do desenvolvimento, eles encontraram evidências de crescimento embrionário rápido, sustentado, e curtos períodos de incubação.

De acordo com Reisz, os dinossauros provavelmente mantinham essa taxa extrema de crescimento após saírem do ovo em uma tentativa de evitar seus predatores, ficando maiores que eles. “Esse pode ser um modelo para explicar o gigantismo nesse grupo”, conclui ele.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 10 de abril de 2013.