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24 de junho de 2009
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Energia nuclear pode não ser solução para mudanças climáticas
Novo relatório revela que usinas de energia nuclear não podem ser construídas com agilidade e segurança suficientes para solucionar o problema do aquecimento global
por Katherine Ling
[continuação]

O documento revela que obstáculos na cadeia de suprimento nuclear, infraestrutura ineficiente nos países em desenvolvimento e limitações nas estratégias de administração de risco de crédito (provocadas pela crise econômica) limitarão de forma drástica a capacidade de expansão da potencial nuclear de todos os países. É provável que os atuais reatores deixem de funcionar em 2030.

Ainda segundo o relatório, o primeiro reator americano não ficará pronto antes de 2015, e colocar uma usina em funcionamento pode levar cerca de 10 anos ─ desde o licenciamento até sua inserção na rede elétrica. Em 24 países interessados em gerar energia nuclear, mas que ainda não construíram reatores, esse prazo pode ser maior.

“Exigências de segurança energética e mudanças climáticas não legitimam a corrida por energia nuclear até que sistemas institucionais garantam a validade da expansão energética, por razões que envolvem não apenas produção de energia, mas também a segurança mundial” aponta o relatório. O documento ainda argumenta que a energia nuclear provavelmente não trará efeitos significativos em relação à segurança energética.

Converter a frota mundial de veículos movidos a petróleo e derivados para eletricidade levará ao menos duas décadas e o setor de transportes é o único em que a substituição de petróleo por energia nuclear pode ser significativa.

Além disso, o relatório alerta que o urânio e o combustível nuclear são produzidos por apenas cinco países ─ Canadá, Austrália, Rússia, Estados Unidos e França ─, o que manteria a dependência de países que não dispõem de fontes ou de tecnologia para produzi-lo. O mais grave é que a necessidade de combustível pode levar mais países a desenvolver suas próprias formas de enriquecimento de urânio, aumentando o risco de proliferação de armas nucleares.
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