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20 de agosto de 2007
Esclarecendo alguns temas importantes sobre mudanças climáticas
 
1) A magnitude relativa entre ação solar e a força antropogênica sobre o clima
Atualmente temos um entendimento muito melhor dos papéis relativos desses fatores. Para começar, agora temos décadas de medições solares de alta qualidade, que mostram que não houve mudanças significativas na irradiação solar desde 1979. Em longo prazo, modelos sugerem que a influência solar desde a época pré-industrial representa 10% de toda a influência antropogênica (figura 2). Além disso, o padrão observado de mudanças na temperatura – aquecendo toda a troposfera (os 10 km de atmosfera mais próximos ao solo), mas resfriando a camada acima, a estratosfera – é inconsistente com a força do Sol, mas consistente com os gases de efeito estufa (e outras forças induzidas pelo homem). Alguns cientistas sugeriram que os raios cósmicos poderiam afetar as nuvens. Entretanto, isso foi baseado em registros limitados. Essa sugestão não se sustentou ao ser testada com dados adicionais e, além disso, seus mecanismos físicos permanecem meramente especulativos.

2) Registros de aquecimento na superfície e na troposfera
O terceiro relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), de 2001, mostra uma aparente combinação mal-sucedida entre o registro instrumental da temperatura superficial (que indicava um aquecimento significativo nas ultimas décadas devido ao impacto humano) e dos registros dos balões meteorológicos e satélites (que registravam pouco do aquecimento esperado). Essa discrepância agora já foi amplamente resolvida – e um aquecimento consistente foi identificado entre a superfície e a atmosfera –, com a ajuda de vários estudos novos dos registros de temperatura atmosférica que usaram balões e satélites. As novas pesquisas têm corrigido tendências e erros significativos nos dados, como os causados pela deterioração dos satélites em órbita.

3) O papel do vapor de água nas mudanças climáticas
Apesar de o vapor de água ser o gás de efeito estufa mais forte, sua emissão pelos humanos é pequena, e sabe-se que sua importância para a mudança climática tende a aumentar de acordo com a maneira como responde às mudanças de temperatura. Em conjunto com outros fatores, como o gás carbônico, este último produz uma atmosfera mais quente, que pode prender mais vapor de água, ampliando assim o aquecimento. Esse efeito é crucial para se determinar a magnitude geral da mudança climática esperada. O último relatório do IPCC reafirma esses aspectos de importância fundamental. Em particular, existem novas observações mostrando que o aumento do vapor de água foi de acordo com o previsto.

4) Agora o aquecimento é claramente identificável no oceano
O aquecimento não foi medido apenas na superfície da Terra, mas também nos oceanos. Isso enfatiza que o efeito da “ilha quente” urbana, mesmo sendo real, é apenas local, já que não está presente nos registros coletados nas águas. De fato, as diferenças entre as médias registradas nos hemisférios e as médias globais são insignificantes. Os registros oceânicos, cada vez mais numerosos e melhores, demonstram que uma grande quantidade de calor está sendo absorvida pelos oceanos. Isso indica que o orçamento energético do nosso planeta tem estourado justamente como esperado: com o aumento da produção de gases de efeito estufa.
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