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20 de agosto de 2007
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Esclarecendo alguns temas importantes sobre mudanças climáticas
 
[continuação]

5) A nova avaliação para o futuro dos mares melhora
Estimativas para o aumento do nível dos mares devido à expansão térmica (veja texto principal) estão sendo obtidas com modelos climáticos que incluem uma simulação muito mais realista da circulação dos oceanos, comparados aos modelos mais simples, usados no relatório de 2001. Entretanto, o interessante é que as principais estimativas a respeito da elevação do nível do mar com o aumento de temperatura global permanecem em 10% das estimativas anteriores (quando ajustadas para o mesmo período de tempo). A abrangência do modelo, entretanto, agora é menor (tanto no limite superior como inferior) devido às novas restrições nas contribuições do derretimento de geleiras e calotas polares, além de uma consideração mais cuidadosa das correlações entre as incertezas em diferentes termos. No entanto, o relatório não dá nenhum motivo para nos preocuparmos menos com o aumento do nível dos mares no futuro. Observações recentes mostram evidências quebra do gelo na periferia da Groenlândia mais rápido do que se esperava, assim como dos mantos de gelo da Antártida, que indicam processos de descarga de placas de gelo nos oceanos – e que não foram incluídos nos modelos atuais. Desse modo, apesar das incertezas sobre as questões abordadas pelos modelos terem diminuído, temos que lidar com outros fatores que ainda não existem em modelos de previsão, nem na literatura especializada.

O processo de avaliação do IPCC

O IPCC foi criado pelos governos em 1988 para fornecer informações técnicas e científicas sobre as mudanças climáticas. O processo usado para produzir essas avaliações é criado para assegurar alta credibilidade tanto nas comunidades científica como política. O envolvimento do governo para prover mandatos para o trabalho em seu estágio inicial, participar secundariamente em revisões, garantir que os gestores de políticas públicas compreendam as principais descobertas no estágio final.

Avaliações prévias foram publicadas em 1990, 1995 e 2001. Existem três “grupos de trabalho”. O Grupo 1 avalia os aspectos científicos do sistema climático e de mudança do clima; o Grupo 2 avalia os efeitos das mudanças climáticas sobre a natureza e a sociedade, e o Grupo 3 discute os métodos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.

Os principais autores do relatório são nomeados pelo governo, e selecionados com base em evidências de participação ativa em pesquisas relevantes, considerando também a necessidade de pontos de vista equilibrados, assim como localização geográfica, sexo e idade. As regras do IPCC são claras e o conteúdo dos capítulos é controlado pelos autores principais o tempo todo. Eles devem avaliar tecnicamente a literatura relevante disponível e fornecer um resumo equilibrado tanto do estado atual do conhecimento científico quanto das incertezas.
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