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Estado de Washington Combate a Acidificação Oceânica

Um dos principais produtores de mariscos dos Estados Unidos investe US$3,3 milhões na saúde dos mares

 

Copyright da imagem: Rostislav Ageev /shutterstock
O estado de Washington, principal produtor de mariscos de fazendas marinhas, lançou em 27 de novembro um plano para reduzir a acidificação oceânica. A iniciativa – detalhada em um relatório que contou com a contribuição de cientistas, formuladores de políticas e representantes da indústria de mariscos, todos nomeados pelo governador – é o primeiro esforço financiado pelo estado dos Estados Unidos para enfrentar a acidificação oceânica, um problema cada vez maior na região e no mundo.

A governadora do estado, Christine Gregoire, declara que alocará US$3,3 milhões para apoiar as recomendações prioritárias do painel.

“Washington claramente está na liderança no que diz respeito à acidificação oceânica”, declara Jane Lubchenco, administradora da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Conforme as emissões cada vez maiores de dióxido de carbono se dissolveram nos oceanos do mundo, a média de acidez das águas aumentou em 30% desde 1750. Washington, que produz ostras, moluscos e mexilhões em fazendas marinhas, é particularmente vulnerável à acidificação por duas razões: eventos de afloramento provocados por ventos levam águas de pH baixo do fundo do oceano para a praia, e o escoamento de nutrientes terrestres das fazendas alimenta o crescimento de algas, o que também reduz o pH.

Como resultado disso, a região já está experimentando níveis de acidez três vezes maiores que a média oceânica global, com impactos devastadores sobre a indústria de mariscos que movimenta US$270 milhões no estado. Águas ácidas são corrosivas para muitas larvas de mariscos, e reduzem a quantidade de carbonato disponível, que alguns organismos marinhos precisam para formar conchas ou esqueletos de carbonato de cálcio.

Absorção de plantas e algas marinhas

O painel recomenda a criação de um “orçamento da acidez” para responder por fontes naturais e humanas de acidificação; métodos melhorados de prever condições corrosivas; e descobrir maneiras de usar plantas e algas marinhas para absorver dióxido de carbono em incubadoras de mariscos.

O monitoramento melhorado será crucial para melhor compreender as tendências da acidificação, seus fatores contribuintes e as respostas biológicas de organismos marinhos. “Precisamos de dados de alta resolução em tempo real – que são fundamentais, porque as condições são muito variáveis”, explica George Waldbusser, membro do painel e químico marinho da Oregon State University em Corvallis. 

Até agora, sensores para medir o pH e a abundância do dióxido de carbono foram adicionados a 17 sistemas nacionais de observação já existentes, conta Dick Feely, membro do painel e químico marinho do NOAA no Laboratório de Meio-Ambiente Marinho do Pacífico, em Seattle, no estado de Washington. O NOAA planeja ter 60 desses locais de monitoramento em todo o país nas próximas décadas. “Estamos tentando instalar um sistema de alerta antecipado para ajudar a indústria a se adaptar a condições mutantes, às vezes severas”, explica Feely.

O esforço para encontrar soluções amplas e criativas regionalmente é impressionante, declara Scott Doney, químico marinho da Instituição Oceanográfica Woods Hole em Massachusetts, que não se envolveu com o painel. De acordo com ele, “É interessante como eles adaptaram a ciência aplicada para ajudar a aquacultura com uma agenda de pesquisa mais abrangente para compreender os fatores que afetam a indústria de mariscos”.

Apesar do foco regional do relatório, os autores esclarecem que a necessidade mais urgente é reduzir as emissões globais de dióxido de carbono. “Reduzir as emissões de carbono é crucial, mas não é um problema que Washington pode resolver sozinho”, aponta Jay Manning, co-diretor do painel e advogado ambiental do Grupo Jurídico Cascadia, em Olympia, Washington, e ex-diretor do Departamento de Ecologia de Washington. 

Lubchenco enfatiza que o relatório destaca a necessidade de formular estratégias de adaptação à acidificação oceânica e também a urgência de criar uma pressão mais forte para reduzir as emissões globais de carbono. “Não podemos nos dar ao luxo de fazer apenas uma dessas coisas”, adverte ela. “Precisamos fazer ambas”.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 27 de novembro de 2012. 
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