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Primeiro caso de Ebola nos Estados Unidos

Serviços de saúde monitoram as pessoas que estiveram em contato com o paciente agora internado no Texas Hospital

 

Por Dina Fine Maron

Autoridades federais americanas fizeram o anúncio na terça-feira, dia 30 de setembro.

O paciente, do sexo masculino, foi internado no Texas Health Presbyterian Hospital Dallas e colocado em estrito isolamento em 28 de setembro depois de viajar da Libéria para visitar familiares no norte do Texas.

O liberiano Thomas Eric Duncan deixou a Libéria em 19 de setembro, desembarcou nos Estados Unidos no dia 20, e começou a manifestar sinais de doença no dia 24. Como o vírus Ebola só pode ser transmitido depois que uma pessoa adoece, autoridades de saúde americanas afirmaram que ele não poderia ter infectado passageiros próximos no avião.

Duncan não parece ter estado envolvido no atendimento de doentes de Ebola.  

“Sem dúvida alguma ele teve contato com alguém que estava doente com Ebola ou morreu da infecção”, declarou Tom Frieden, diretor do Centers for Disease Control and Prevention, o órgão americano para controle e prevenção de doenças (CDC) em uma coletiva de imprensa no dia 30, antes que os novos dados viessem à tona. [Agora já se sabe que ele teve contato direto com uma mulher infectada, em Monróvia, no dia 15 de setembro, apenas 4 dias antes de viajar para os Estados Unidos. A jovem, identificada como Marthalene Williams, de 19 anos, morreu na madrugada de 16 de setembro.]

Duncan está sendo atendidoem uma Unidadede Terapia Intensiva do hospital e todas as pessoas que possivelmente foram expostas a ele, ou tiveram potencial contato com ele depois que apareceram os primeiros sintomas da infecção serão contatadas e monitoradas durante 21 dias. Normalmente, a doença tem um período de incubação de8 a10 dias.

O caso ocorre seis meses depois que a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou formalmente o início do surto na Guiné. A doença, disseminada apenas por contato com os fluidos corporais de pacientes sintomáticos de Ebola, já causou mais de 3.000 mortes na África ocidental e se propagou da Guiné para a Libéria, Nigéria, Senegal e Serra Leoa (além da República Democrática do Congo). No entanto, a Nigéria e o Senegal não estão mais relatando novos casos, o que sugere que esses países controlaram o surto local.

Apesar de algumas especulações publicadas na mídia, a doença não é transmitida pelo ar e é improvável que isso venha a ocorrer.

O CDC vem reiterando há meses que, ao contrário dos sistemas de saúde da África ocidental, a robusta infraestrutura americana impediria o Ebola de se propagar rapidamente, caso o vírus fosse detectado nos Estados Unidos. Profissionais de saúde que contraíram a infecção enquanto cuidavam de pacientes na África ocidental e que foram transferidos para hospitais americanos se recuperaram sem infectar outras pessoas.

Na coletiva, Frieden voltou a reiterar que os recursos de isolamento em hospitais americanos, a capacidade dos profissionais de saúde de rastrear pessoas que podem ter sido expostas ao doente, e um sólido sistema de comunicação, capaz de alertar a população sobre a melhor maneira de se proteger, impedirá que esse caso se transforme em um surto em larga escala.

De fato, o diretor do CDC lembrou aos repórteres que uma mulher que contraiu uma doença similar, causada pelo vírus Marburg, foi tratada com sucesso no Colorado em 2008 depois de adoecer, tendo inclusive sido submetida a uma cirurgia sem transmitir o vírus para qualquer outra pessoa.

No momento não há outros casos suspeitos de Ebola no Texas.

Até agora, nenhuma terapia medicinal ou vacina foi aprovada cientificamente para combater o Ebola, embora várias candidatas estejam passando por ensaios clínicos.

Em meados de setembro, a OMS determinou que transfusões de sangue de sobreviventes de Ebola devem ser o tratamento prioritário imediato. Esse sangue, provavelmente lotado de anticorpos contra o vírus, poderia ajudar os recém-infectados a reagir mais rapidamente à doença.

Embora a OMS tenha afirmado que a doença mata 70% dos pacientes, é mais provável que os doentes sobrevivam quando eles têm acesso aos cuidados que seriam oferecidos nos Estados Unidos, inclusive a reposição de eletrólitos e fluidos perdidos.

Scientific American 30 setembro 2014