Sciam
Clique e assine Sciam
Notícias

Estudo sugere que drogas psicodélicas poderiam reduzir comportamento criminoso

Levantamento com 480 mil indivíduos investigou uso de LSD, mescalina e cogumelos

Shutterstock
Lophophora williamsii, também conhecido como peiote.
Uma pesquisa recentemente publicada sugere que drogas psicodélicas comuns - como cogumelos mágicos, LSD e mescalina (uma substância derivada do cacto peiote) - poderiam reduzir delitos criminais.

O novo estudo, que tem como co-autor Zach Walsh, professor associado do campus de Okanagan da Universidade da Colúmbia Britânica, descobriu que drogas psicodélicas estão associadas a uma diminuição da probabilidade de comportamentos criminosos antissociais. O artigo contendo a pesquisa foi publicado no Journal of Psychopharmacology.

“Estas descobertas se somam a um crescente número de pesquisas sugerindo que o uso de psicodélicos clássicos pode ter efeitos positivos na redução do comportamento antissocial”, disse Walsh. “Elas certamente destacam a necessidade de mais pesquisas sobre os potenciais efeitos benéficos dessas substâncias estigmatizadas, tanto para a saúde individual quanto para a pública.”

Peter Hendricks, principal autor e professor associado da Universidade do Alabama, utilizou dados obtidos pelo Serviço Nacional sobre Consumo de Drogas e Saúde - administrado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA - para explorar a conexão entre o uso de substâncias psicodélicas clássicas e o comportamento criminoso entre mais de 480 mil réus adultos norte-americanos dos últimos 13 anos.

As principais descobertas do estudo mostram que réus que haviam sido usuários de drogas psicodélicas tiveram uma diminuição de 27% nas chances de realizarem roubos ou furtos, e uma diminuição de 22% na probabilidade de serem presos por um crime violento no último ano. Ao mesmo tempo, o uso de outras substâncias ilícitas ao longo da vida geralmente era associada a maiores chances de comportamentos criminosos.

Hendricks diz que a psilocibina e compostos relacionados poderiam revolucionar o campo da saúde mental.

“O desenvolvimento de intervenções inovadoras e efetivas para prevenir o comportamento criminoso é uma prioridade óbvia”, acrescenta Hendricks. “Nossas descobertas sugerem que os efeitos protetores do uso psicodélico clássico são atribuídos a reduções genuínas do comportamento antissocial, em vez de refletir uma melhora na evasão de prisões. Simplificando, os efeitos positivos associados ao uso psicodélico clássico parecem ser confiáveis. Dados os custos do comportamento criminoso, o potencial representado por este paradigma de tratamento é significativo.”

Walsh observa que pesquisas sobre os benefícios de drogas psicodélicas começaram há décadas, inicialmente para tratar doenças mentais. Contudo, elas pararam devido a reclassificação das drogas como substâncias controladas em meados dos anos 1970. Nos últimos anos, ressurgiu o interesse pela medicina psicodélica.

“São necessárias mais pesquisas para descobrir quais os fatores por trás desses efeitos”, diz Walsh. “Mas as experiências de unidade, positividade e transcendência as quais caracterizam a experiência psicodélica podem ter benefícios duradouros que se traduzem em consequências do mundo real.”

Universidade da Colúmbia Britânica - Campus de Okanagan
Para assinar a revista Scientific American Brasil e ter acesso a mais conteúdo, visite: http://bit.ly/1N7apWq