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Estudos de fósseis esclarecem origens de dentes

Estruturas semelhantes a dentes se originaram de carapaças externas

Nature
EXAMES DE RAIOS-X: Usar microscopia tomográfica com radiação síncrotron semelhante a laser revela a estrutura e composição interna de fósseis e como suas esporas semelhantes a dentes evoluíram.
Por Matt Kaplan e revista Nature

O que veio primeiro: presas ou carapaças ósseas? Durante anos, paleontólogos acreditaram que os primeiros ossos a aparecer foram os dentes, e que as carapaças protetoras de peixes primitivos, feitas de material semelhante, vieram depois. Agora, porém, um novo estudo revela que a verdade é outra. 

O trabalho se concentra em um grupo de animais ancestrais sem mandíbula conhecidos como conodontes, que desapareceram durante o final do período Triássico, há cerca de 200 milhões de anos. E

ssas criaturas parecidas com enguias não tinham esqueletos internos ou externos, mas suas bocas tinham esporas rígidas que eram facilmente fossilizadas, e compostas de materiais semelhantes a dentina e esmalte.

Como os dentes de peixes, cães, dinossauros e humanos são compostos desses materiais, a suposição anterior, conhecida como “hipótese inside-out” [NOTA: ou “hipótese de dentro para fora”, fazendo referência à evolução/modificação iniciada no interior dos animais, depois indo “para fora”], era de que as estruturas rígidas dentro da boca dos conodontes eram dentes primitivos e que o exoesqueleto que cobria os primeiros peixes se desenvolveu a partir dessas estruturas semelhantes a dentes.   

Trabalhos anteriores examinaram o desenvolvimento de esporas rígidas na boca de alguns conodontes mostrando que ocorrem de modo surpreendentemente semelhante ao observado no desenvolvimento de dentes nos animais modernos. As semelhanças são marcantes, mas o principal autor do último estudo, o paleontólogo Philip Donoghue da University of Bristol, no Reino Unido, argumenta que isso é apenas uma ilusão evolutiva.

Pele dos Dentes

Usando microscopia tomográfica de raios-X com radiação síncrotron semelhante a laser, uma técnica que revela a estrutura interna e composição de fósseis, Donoghue e sua equipe foram capazes de analisar conodontes primitivos para revelar como suas esporas semelhantes a dentes evoluíram. Na revista Nature os pesquisadores relataram que as estruturas encontradas em conodontes primitivos evoluíram independentemente de dentes de vertebrados.

Os cientistas descobriram que, enquanto animais modernos produzem dentes depositando camadas de esmalte sobre dentina e conodontes mais recentes usam um método semelhante, conodontes primitivos não tinham quaisquer camadas semelhantes a esmalte.

Isso significa que o dente, como o conhecemos atualmente, ainda não tinha evoluído quando conodontes se separaram do grupo de animais que finalmente levaram aos humanos. Em vez disso, as esporas semelhantes a dentes parecem ter evoluído em dois momentos: uma nos conodontes mais recentes, e uma no resto dos vertebrados.

“Ainda que as estruturas dentárias dos conodontes mais recentes sejam absolutamente indistinguíveis de materiais esqueléticos modernos, nosso trabalho mostra que eles não são a mesma coisa”, explica Donoghue. “Agora temos que supor que nossos dentes evoluíram a partir da carapaça de peixes que se alimentavam de lama”.

Pesquisadores que estudam a evolução de tecidos rígidos estão aproveitando um momento de alívio. “As estruturas dentárias de conodontes sempre me pareceram problemáticas”, declara o paleontólogo Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala, na Suécia. “Nós víamos todas essas pequenas estruturas rígidas na pele protetora dos peixes primitivos, que se parecem com os tipos de materiais que naturalmente evoluiriam em osso, e então temos os conodontes com elementos rígidos que só são encontrados em suas bocas”, observa ele. “A evolução de esqueletos faz muito mais sentido sem conodontes na história”.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 16 de outubro de 2013.