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Exercício físico diminui o apetite

Pesquisas em roedores revelam como estimular mudança química em indivíduos com sobrepeso

Katherine Harmon
iStockPhoto
Supostamente correr numa esteira ou nadar na piscina faz você querer comer mais. Pesquisas recentes, contudo, sugerem que o exercício pode, na verdade, ajudar a retardar a fome. Um novo estudo feito na Unicamp apresenta evidências de que a resposta fisiológica do organismo ao exercício pode ajudar a sintonizar sinais do sistema nervoso, fazendo o corpo sentir menos fome em vez de mais.

A fome é uma sensação complexa, mas determinada em parte por neurônios localizados no hipotálamo, que enviam sinais ao cérebro dizendo-lhe se você está com fome ou saciado. Esses neurônios levam sua mensagem aos hormônios, incluindo a insulina e a leptina. Quando o organismo desenvolve uma resistência a esses mensageiros, as pessoas ficam mais propensas a comer em excesso, ganhando peso.

Os pesquisadores da Unicamp concluíram que "a atividade física reorganiza o conjunto de pontos de equilíbrio nutricional por meio de antinflamatórios de sinalização", conforme explicam no estudo publicado em 24 de agosto no PLoS Biology.

A chave para a sinalização parecia ser a interleucina-6 (IL-6) e IL-10, proteínas secretadas por células do sistema imunológico. O composto de IL-6 é liberado a partir dos músculos quando se contraem e apontado como responsável pelo papel central na regulação do apetite, gasto energético e composição corporal.

Para explorar ainda mais essa associação, a equipe de pesquisa analisou o uso de energia em ratos magros e obesos, que correram em uma esteira. Após o exercício, tanto os ratos magros quanto os obesos tinham menores níveis de insulina. Por amostragem do perfil biológico de alguns desses animais, os cientistas descobriram que o exercício tinha mudado a química do hipotálamo dos ratos obesos, que incluiu produção de IL-6. Os ratos que receberam um anticorpo para inibir a IL-6 antes do exercício não revelaram essa bioquímica.

"Essas moléculas foram cruciais para aumentar a sensibilidade dos hormônios mais importantes – a insulina e a leptina –, que controlam o apetite", relata José Carvalheira, do Departamento de Medicina Interna da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, e coautor do novo estudo.