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Exercício físico é associado a integridade cromossômica

Elizabeth Blackburn, ganhadora do Prêmio Nobel explica a relação entre atividade física e envelhecimento.

Mariette DiChristina e Steve Mirsky
Wikimedia commons
Telômeros são partes de cromossomos que protegem suas extremidades.

Frequentemente, eles são comparados às “agulhetas” que existem nas extremidades de cadarços.

Mas, assim como essas agulhetas costumam rachar, ou se quebrar, telômeros também tendem a ficar mais curtos com o tempo, com cada nova divisão celular.

No entanto, eles podem ser cobertos novamente por uma enzima chamada telomerase, que é uma transcriptase reversa.

Várias doenças relacionadas à idade são associadas a telômeros mais curtos.

Elizabeth Blackburn ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2009 por suas descobertas sobre telômeros e a enzima telomerase.

Recentemente, ela participou de um Google Hangout com a editora-chefe da Scientific American Mariette DiChristina, que incluiu responder a perguntas feitas por outros participantes do bate-papo através da mídia social.

Abaixo, um trecho editado da conversa:

Mariette DiChristina: Telômeros de fato podem ficar mais compridos em resposta a exercícios [físicos]?

Elizabeth Blackburn: Bem, não sabemos se eles realmente crescem com exercícios. Mas lhe darei um belo exemplo do que se sabe com base em um trabalho realizado com gêmeos. Esse foi um grande estudo, mas não estivemos envolvidos nele.

Pesquisadores estudaram os gêmeos e escolheram duplas em que um deles praticava atividades físicas e o outro não. E realmente existem muitas duplas nessa situação.

De acordo com os cientistas, o que se exercitava tinha telômeros mais longos; enquanto o sedentário tinha telômeros mais curtos. Mas é preciso lembrar que eles tinham os mesmos genes. Portanto, isso lhe diz alguma coisa bastante interessante. É claro que você poderá perguntar se realmente foram os exercícios ou se foi algo mais, algo que era diferente entre os gêmeos.

É aí que estudos epidemiológicos têm de ser feitos com tanto cuidado. Mas encontramos o mesmo resultado reiteradamente; ou seja, que o exercício está associado a uma pessoa que terá um encurtamento menor de telômeros.

Por essa razão, agora realmente parece que é o exercício que, de alguma forma, impede que esse processo de encurtamento seja mais rápido.

—Steve Mirsky

 

[O texto acima é uma transcrição do podcast Health — 60 Second Science da Scientific American.]

 

Publicado em Scientific American em 9 abril de 2015.