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Exposição "Dinos do Brasil" traz dinossauros brasileiros e realidade virtual

Maior sala interativa de realidade virtual do mundo oferece viagem ao passado que visita 13 espécies que viveram no Brasil

VR Monkey/Intel
Sentado numa nave que viaja no tempo, você observa a Terra do espaço. Em alguns segundos, o enorme cometa que, há 65 milhões de anos, atingiu a península de Yucatan, no México, e causou a extinção dos dinossauros passará à sua direita, a poucos quilômetros da nave. A proximidade é tanta que o bólido demora para passar, e você consegue enxergar sua cauda azul em toda extensão. Logo depois, ele atinge o planeta e você assiste de camarote à magnitude da devastação que cobre a superfície.

Desde 18 de fevereiro, você pode viver esta experiência no Museu Catavento, na região central da cidade de São Paulo. Ela é parte da maior instalação interativa em realidade virtual do mundo, a Dinos do Brasil. Com 100 m² e 25 computadores, é uma exposição imersiva e interativa de áudio e vídeo sobre os dinossauros brasileiros. O projeto foi idealizado há três anos pela startup brasileira VR Monkey, especializada em desenvolvimento de conteúdo de realidade virtual em alta qualidade. É o primeiro projeto em realidade virtual apoiado via Lei Rouanet, e conta com patrocínio da Intel e da Ambev.

Na instalação, o visitante é convidado a se sentar e colocar um dos óculos de realidade virtual - o Oculus Rift - para explorar, em primeira pessoa, a animação de 32 minutos. Na animação, dividida em capítulos, o visitante é o capitão de uma cápsula que viaja no tempo, junto com um hipotético companheiro de viagem que faz o papel de narrador.

A viagem leva a diferentes períodos da era mesozóica, visitando regiões de norte a sul do Brasil - Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Paraíba são alguns. O narrador e companheiro de viagem usa de linguagem acessível e descontraída, relatando a história de 13 das cerca de 20 espécies de dinossauros que viveram no Brasil entre 250 e 65 milhões de anos atrás.
Pedro Jackson/Museu Catavento
A missão se inicia na órbita terrestre. É possível ver a formação continental da Terra na época e onde exatamente se encontrava o que hoje é o Brasil. A animação percorre desertos cheios de rochas, florestas com grandes árvores e rios, áreas com vulcões em erupção. Tudo em uma experiência de 360º em 3D, com riqueza de ações e detalhes para todos os lados que se olha.

Durante a viagem, o visitante é apresentado a dinos como o Abelissauro, apelidado de “T-Rex” brasileiro, e o pescoçudo Uberabatitã, um dos maiores de que se tem registro em nosso território. Os dinossauros interagem tanto com a paisagem e entre si - tomando água, comendo folhas e plantas das árvores, caçando animais menores e até mesmo urinando - quanto com o espectador. Contudo, a interação com o visitante nunca acontece diretamente: durante uma viagem noturna, o narrador informa que a cápsula possui uma espécie de camuflagem, impossibilitante que os animais a vejam.

A “missão” também faz viagens à órbita terrestre para mostrar alguns dos meteoros e cometas que atingiram a Terra na época e como eles impactaram o planeta. A produção teve, ainda, a preocupação de pegar referências reais para aproximar o público do universo retratado. Ela mostra sítios arqueológicos e fósseis que existem e podem ser visitados, como o da urina de Ornitópode encontrado no interior de São Paulo.

O óculos de realidade virtual permite que o visitante explore todo o ambiente. Para toda direção que olhar - seja esquerda, direita, para frente, para cima, para baixo ou para trás - haverá algo a ser visto. Contudo, o mergulho na era dos dinossauros sofre uma pequena quebra quando se olha para o assento virtual no qual, em tese, o “capitão” está sentado: ele está vazio, o que faz perder um pouco da “magia” proporcionada pela realidade virtual.

Apesar do alto requinte gráfico, algumas ações travam, por vezes. Nem sempre é possível ter uma noção real do tamanho dos grandes dinossauros; mesmo que o narrador sempre compare o porte dos animais com a altura do ser humano médio, alguns deles, ao se aproximarem do visitante, se mostram menores do que pareciam. Além disso, as penas do Mirisquia e do Santanarraptor não são identificadas de imediato, apesar de possuírem um movimento bem natural. Contudo, essas questões não comprometem a experiência, que é bastante divertida, informativa e impressiona pela quantidade de detalhes.

A atividade se propõe a oferecer uma experiência multissensorial e educativa para todas as idades, e demonstrar a extinção dos dinossauros de forma menos negativa. O objetivo é mostrar que, apesar das grandes extinções periódicas, o planeta sempre acha uma maneira de se reerguer através da evolução. E enfatizar que nem todos os animais morreram, de fato - as aves, por exemplo, descendem dos dinossauros alados e com penas que sobreviveram às catástrofes.

Pamella Freire, educadora do museu, conta que uma das principais preocupações na concepção da animação foi traduzir o conhecimento científico de forma fiel, porém numa linguagem que possa ser entendida por pessoas de todas as faixas etárias e sociais. Pamella diz que o tema é pouco difundido no Brasil.

“Muitas das pessoas chegam à exposição sabendo apenas nomes de dinossauros norte-americanos, pois pouco se fala sobre a pré-história brasileira”, diz ela. O projeto contou, ainda, com a consultoria do professor Luiz Anelli, professor e paleontólogo do Instituto de Geociências da USP especializado em dinossauros brasileiros, e com a ajuda de paleobotânicos e paleoartistas.

Diariamente, acontecem sete sessões de 40 minutos cada, de terça-feira a domingo. Durante a semana, as sessões são reservadas a grupos escolares agendados. A exposição é permanente e é indicada para todas as faixas etárias acima de nove anos.

Marília Fuller

 


Confira a galeria dos dinossauros retratados na Dinos do Brasilhttp://bit.ly/2lUygRj
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