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Exposição à poluição do ar pode aumentar risco de doença cardíaca

Estudo mostra que contato com material particulado está associado a medidas piores de colesterol e açúcar no sangue

Shutterstock

A exposição à poluição do ar pode prejudicar os níveis de açúcar no sangue, os de colesterol e também outros fatores de risco para doenças cardíacas, particularmente em pessoas com diabetes, de acordo com um novo estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

Distúrbios lipídicos e cardiovasculares são a principal causa de mortes nos Estados Unidos, de acordo com dados da sociedade médica Endocrine Society. Em 2011, o custo total das doenças cardiovasculares no país foi de US$ 320 bilhões. O total inclui gastos com tratamentos e também custos indiretos, como perda de produtividade.

Níveis perigosos de colesterol e excesso de glicose na corrente sanguínea podem colocar um indivíduo sob risco de desenvolver doença cardíaca, de acordo com a Hormone Health Network, o braço de educação da Endocrine Society.

"Embora a poluição do ar esteja ligada à mudanças relativamente pequenas nos fatores de risco cardiometabólicos, uma exposição de caráter contínuo e o número de pessoas afetadas nos dão razões para preocupação,” disse o autor sênior do estudo,  Victor Novack, do Centro Médico da Universidade de Soroka e da Universidade de Ben-Gurion, em Beer Sheva, Israel. “Mesmo mudanças pequenas nos níveis de glicose e de controle glicêmico podem contribuir para o risco de doenças cardiovasculares.”

O estudo populacional, feito de forma retrospectiva e segundo a metodologia de coorte, examinou os efeitos da exposição à poluição do ar em 73.117 adultos que vivem no sudeste de Israel, onde os níveis de partículas podem intensificar-se graças a sua localização no cinturão global de poeira. Para avaliar a poluição do ar, os pesquisadores usaram dados de satélite diários sobre a quantidade de luz solar bloqueada por partículas no ar-- uma medida chamada de profundidade óptica de aerossóis. Examinando esse e outros dados climáticos, os cientistas desenvolveram um modelo que os permitiu estimar a exposição à poluição do ar diária de cada participante usando o endereço deles.

Os pesquisadores analisaram os resultados de mais de 600.000 amostras de sangue colhidas dos indivíduos estudados, que foram segurados pelo Clalit Health Services entre 2003 e 2012. Todos os participantes do estudo eram fumantes ou tinham diabetes, doença isquêmica do coração, hipertensão ou dislipidemia, as quais ocorrem quando os níveis de gordura no sangue estão muito altos ou muito baixos.

O estudo descobriu que os participantes tendiam a apresentar  maiores quantidades de açúcar no sangue e piores indicadores de colesterol quando eram expostos à níveis acima da média de partículas do ar nos três meses precedentes, em comparação com os que foram expostos à níveis menores de poluição. A exposição ao material particulado foi associada com aumento da glicose no sangue, colesterol do tipo LDL e triglicérides. Também foram detectados menores níveis de HDL, o chamado colesterol “bom”.

As associações foram mais fortes para portadores de diabetes. No entanto, os usuários de outras medicações que não a insulina experienciaram um efeito protetor. Esse grupo experimentou mudanças menores nos níveis de colesterol e açúcar no sangue após a exposição à poluição do ar.

Ainda que a poluição do ar não tenha exercido efeito imediato nos resultados dos exames sanguíneos, realizados apenas sete dias de exposição, os pesquisadores descobriram que a exposição cumulativa ao longo de  três meses estava ligada aos fatores de risco para doenças cardiovasculares.

"Nós achamos uma associação entre exposição à poluição do ar por um período de duração média e mudanças não desejáveis no colesterol,” afirmou o autora principal do estudo Maayan Yitshak Sade, MPH, do Centro Médico da Universidade Ben-Gurion e da Universidade de Soroka, ambas em Beer Sheva, Israel. "Isso sugere que exposição cumulativa à poluição do ar ao longo de uma vida pode levar a riscos elevados para doença cardiovascular.”

 

Endocrine Society