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26 de junho de 2009
Extensão da infância pode produzir cérebros maiores
A retenção de feições infantis pode explicar porque os humanos são tão diferentes dos chimpanzés, apesar de os respectivos genomas serem praticamente idênticos
por Charles Q. Choi
Steve Winter Getty Images
Humanos adultos compartilham características associadas a chimpanzés imaturos, como mandíbulas pequenas e rostos achatados.
Há décadas cientistas notaram que humanos maduros se parecem fisicamente com chimpanzés imaturos; como eles, nós também temos mandíbulas pequenas, rostos achatados e poucos pelos no corpo. A conservação de feições infantis ─ chamada neotenia pela biologia evolucionária ─ é notada particularmente em animais domesticados. Graças à preferência dos humanos, muitas raças de cães têm feições de filhote, como orelhas caídas, focinho curto e olhos grandes. Atualmente, evidências genéticas sugerem que a neotenia pode ajudar a explicar porque os humanos são tão diferentes dos chimpanzés, embora as duas espécies compartilhem, em grande parte, os mesmos genes e tenham se separado há apenas seis milhões de anos, um tempo curto em termos evolucionários.

Em animais, a neotenia aparece devido a atrasos no desenvolvimento, observa o biólogo molecular Philipp Khaitovich, do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária, em Leipzig, Alemanha. Os humanos, por exemplo, amadurecem sexualmente cerca de cinco anos depois dos chimpanzés, e nossos dentes nascem mais tarde. “Mudanças nas etapas do desenvolvimento são alguns dos mecanismos mais eficientes que a evolução pode utilizar para remodelar organismos, com poucas ocorrências moleculares,” explica.

Para conseguir evidências de que a neotenia representou papel importante na evolução do Homo sapiens, Khaitovich e seus colegas compararam a expressão de 7.958 genes do cérebro de 39 humanos, 14 chimpanzés e nove macacos rhesus. Eles coletaram amostras do córtex pré-frontal dorsolateral ─ região ligada à memória, relativamente fácil de ser identificada no cérebro de primatas. Os tecidos foram obtidos de pessoas e animais que morreram com diferentes idades, da infância à meia-idade, permitindo que os pesquisadores verificassem as mudanças nas atividades genéticas de cada espécie, ao longo do tempo.
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