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Além da enxurrada de produtos colocados à venda após o estudo, em 1998, Zell Miller, então senador da Georgia, nos EUA, ordenou que todas as mães de recém-nascidos do estado recebessem CDs. Na Flórida, as creches foram obrigadas a tocar sinfonias em seus sistemas de som.
Um estudo de 2004 da Stanford University acompanhou a cobertura feita pela mídia do estudo de Rauscher em comparação a outros estudos publicados na “Nature” no mesmo período. Nos 50 maiores jornais dos Estados Unidos, seu estudo, intitulado “Musical and Spatial Task Performance” (Desempenho de tarefa musical e espacial) foi citado 8,3 vezes mais que o segundo estudo mais popular (que tinha como co-autor o famoso astrônomo Carl Sagan).
“Parece uma manifestação circunscrita de uma crença antiga e altamente difundida, que tem sido rotulada como ‘determinismo infantil’ – a idéia de que um período crítico no início do desenvolvimento tem conseqüências irreversíveis para o resto da vida da criança”, disseram os pesquisadores em sua análise. “Essa idéia também está ancorada em uma crença mais antiga nos poderes benéficos da música”.
Algumas pessoas ainda defendem esses supostos poderes musicais. “A música traz uma tremenda qualidade organizacional para o cérebro”, argumenta Don Campbell, músico clássico que já escreveu mais de 20 livros sobre música, saúde e educação, incluindo “O Efeito Mozart” (Editora Rocco) e “The Mozart Effect for Children”. Referindo-se ao trabalho do médico francês Alfred Tomatis de terapia musical para crianças com dislexia, transtornos de déficit de atenção e autismo na metade do século 20, Campbell acredita que a música não muito emocional, nem ritmada demais, exerce uma influência multifacetada sobre a pessoa, da modulação do humor ao alívio do estresse. “Tenho certeza que a música melhora nossa inteligência”, ele completa. |