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20 de setembro de 2007
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Fato ou ficção: Bebês que escutam música clássica ficam mais inteligentes?
O chamado “efeito Mozart” tem base científica ou é apenas um mito promovido pela mídia?
por Nikhil Swaminathan
[continuação]

No entanto, em 1999 o psicólogo Christopher Chabris, agora no Union College em Schenectady, estado de Nova York, realizou uma meta-análise de 16 estudos relacionados ao efeito Mozart para comprovar sua eficácia geral. “O efeito é de somente um ponto e meio no Q.I., e está confinado à tarefa do papel dobrado”, afirma Chabris. Ele ressalta que os pontos a mais no Q.I. poderiam simplesmente resultar da variabilidade natural que uma pessoa experimenta entre duas aplicações de testes.

No começo deste ano, o Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha publicou um segundo estudo de revisão das pesquisas relacionadas ao tema, com uma equipe multidisciplinar de cientistas com habilidades musicais, que declararam o fenômeno como não-existente. “Eu simplesmente diria que não há nenhuma evidência convincente de que crianças que escutam música clássica terão alguma melhora em suas habilidades cognitivas”, completa Rauscher, agora professora-associada de psicologia na University of Wisconsin, em Oshkosh. “Na minha humilde opinião, não passa de um mito.”

Em vez de ouvir música passivamente, Rauscher defende a idéia de colocar um instrumento musical nas mãos de uma criança para aumentar sua inteligência. Ela cita um estudo realizado na University of California, em Los Angeles, em 1997, que revelou que, entre 25 mil alunos, aqueles que passavam parte do tempo em atividades relacionadas à música tiveram notas mais altas nos SATs (testes similares ao vestibular) e exames de proficiência em leitura, que aqueles sem nenhuma instrução em música.

Apesar da rejeição por parte da comunidade científica, empresas como a Baby Genius continuam empurrando música clássica para os pais. Chabris afirma que o verdadeiro perigo não está na comercialização questionável dos produtos, mas no papel que os pais estão negligenciando – e que foram evolucionariamente preparados para assumir. “Essa prática pode tomar o tempo de outros tipos de interação com os pais que podem ser benéficas para as crianças, como brincar com os filhos e mantê-los engajados em atividades sociais. Esse é o caminho para uma criança realmente inteligente.”
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