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A goma de mascar existe, em diferentes formas, há milhares de anos: na Europa já foram encontrados pedaços de alcatrão de casca de bétula, com marcas de dentes, que datam do Mesolítico. No inverno passado, pesquisadores descobriram que bolinhas de vegetais mascadas pelos antigos índios norte-americanos traziam o DNA dos membros de uma tribo chamada “cesteiros do oeste”, que vivia no sudoeste dos Estados Unidos há cerca de dois mil anos.
Talvez não seja de se esperar que o corpo humano possa fazer muita coisa com essas substâncias borrachentas. A goma de mascar “é bem imune ao processo digestivo”, afirma Miloy, “Provavelmente passa por ele mais lentamente que alimentos de verdade, mas as contrações do trato digestivo acabam a empurrando para fora, e o chiclete é expelido praticamente sem ‘sofrer qualquer dano’.”
Mesmo assim, essa passagem segura do chiclete pelo sistema não significa que engoli-lo faz bem. Como Miloy e seus colegas escreveram na publicação Pedriatics, em 1998, engolir goma de mascar cronicamente – ou engoli-la junto com outras substâncias não-digeríveis – pode se tornar um problema. O relatório da equipe descreve três casos de crianças que sofriam de um bloqueio gastrointestinal por causa da goma de mascar: duas delas ganhavam chiclete como recompensa por bom comportamento e preferiam não cuspir o “prêmio”. Em ambos os casos as crianças ficaram constipadas, à medida que os chicletes se acumulavam em uma massa que precisou ser extraída. O terceiro paciente, uma garotinha de apenas um ano e meio de idade, tinha quatro moedas presas no esôfago, unidas por uma teia de chiclete.
“Já tratei outro caso bem interessante.”, lembra Miloy, “Uma pessoa engoliu sementes de girassol, mas também as cascas!”. Depois de examinar o trato digestivo inferior do paciente, Miloy descobriu que “todas as sementes estavam presas em volta de um chiclete”, formando um corpo estranho que ele compara a um porco espinho.
Enquanto a perspectiva real (porém remota) de abrigar um ouriço no intestino seja suficiente para desencorajar qualquer um que queria engolir chiclete, o mito da maldição dos sete anos persiste. Como não faz mal, e na verdade, provavelmente serve para prevenir muitos casos como aqueles descritos por Miloy, parece que a lenda urbana ficará grudada por aqui por um bom tempo – ao contrário do chiclé que você engoliu no colégio. Ainda bem. |