Notícias
  
18 de dezembro de 2008
Fertilizantes inofensivos
Fertilizantes não-explosivos dificultam bombas terroristas
por David Biello
© Egidijus Skiparis/Shutterstock
Alerta terrorista: o fertilizante Sulf-N 26 não poderá ser transformado em bomba por terroristas.
Talvez você não saiba, mas fertilizantes são o explosivo preferido de terroristas com poucos recursos. As explosões no World Trade Center, em 1993, no prédio de um escritório na cidade de Oklahoma, em 1995, e em ônibus e trens londrinos, em 2005, foram todas à base de fertilizantes com nitrato de amônia.

Mas o que um fazendeiro honesto pode fazer? A Honeywell International ─ empresa conhecida pela produção de termostatos e sistemas de segurança domésticos, com sede em Morristown, Nova Jersey ─ desenvolveu e patenteou um fertilizante à prova de explosões, que reduz a zero ações mal-intencionadas.

Há 50 anos, a Honeywell produz um fertilizante ─ o sulfato de amônia ─ como subproduto da produção de náilon usado desde carpetes a camisas esportivas. Testes feitos desde 1999 mostram que a combinação de sulfato de amônia com nitrato de amônia ─ fertilizante de ação rápida ─ ajuda a estabilizar o nitrato. Como o sulfato de amônia é relativamente inerte, em alguns casos pode ser usado como retardador da explosão. “O que acontecer com nitrato de amônia, o sulfato acompanha. É como acender um pedaço de madeira no fogo e atear fogo num galão de gasolina”, observa Jim Kweeder, principal engenheiro de pesquisas da Honeywell Resins and Chemicals. “Nos explosivos, a velocidade é essencial. Se ela for reduzida, não haverá mais explosivo.”

O fertilizante foi considerado pelo do Departamento de Segurança dos Estados Unidos (DHS em inglês) como uma alternativa não-explosiva, pois ele não explode mesmo se misturado com óleo diesel ou outros combustíveis. O que ainda deve ser analisado é se é bom fertilizante. “Os vegetais fertilizados com este produto são os que reagem ao nitrato de ação rápida, e os que precisam de sulfato, como tomate, repolho, batata e até árvores de frutas cítricas,” observa Mark Murray, diretor de marketing estratégico da Honeywell. “Do ponto de vista da segurança e praticidade, constatou-se que os benefícios dos dois fertilizantes se somam, mas não suas desvantagens.”

Provavelmente esse novo fertilizante, chamado Sulf-N 26, terá um custo maior que o produto comum. O preço médio dos fertilizantes comuns nos Estados Unidos gira em torno de US$ 450 por tonelada. “Não será possível substituir de imediato todo o nitrato de amônia usado atualmente”, admite Murray, mas os fazendeiros que adquirem o produto em grandes quantidades não precisarão mais justificar a finalidade da compra.
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!