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18 de maio de 2009
Fumantes de terceira mão
Pesquisadores alertam que os perigos do cigarro permanecem mesmo depois de ele ter sido apagado
por Coco Ballantyne
iStockphoto.com/Stepan Popov
Cuidado com o fumo de terceira mão. As toxinas do tabaco permanecem ativas ao ambiente, mesmo depois que o cigarro é apagado.
Você já deve ter se sentido o cheiro da fumaça de cigarro que impregna os cabelos e roupas de fumantes próximos a você, ou talvez tenha entrado em um elevador e se perguntado por que o ambiente estava cheirando a cigarro, se não havia ninguém fumando por perto. Bem-vindo ao mundo do fumo de terceira mão.

“Esse efeito residual do cigarro consiste na contaminação provocada pela fumaça de tabaco, que permanece depois de o cigarro ter sido apagado”, explica Jonathan Winickoff, pediatra do Centro de Câncer Dana-Farber/Harvard, em Boston, e autor de uma pesquisa sobre o novo fenômeno, publicada no periódico Pediatrics.

Segundo o estudo, uma grande parcela da população, especialmente os fumantes, ignora que o fumo de terceira mão ─ a combinação de toxinas que adere por horas ou mesmo dias a carpetes, sofás, tecidos e outros objetos, em ambientes freqüentados por fumantes ─ é prejudicial à saúde de bebês e crianças. Dos 1.500 fumantes e não-fumantes monitorados por Winickoff, a grande maioria concordou quanto aos perigos do fumo passivo. Mas, ao serem questionados se concordavam com a afirmação: “Respirar hoje, em um local onde alguém fumou ontem, pode ser prejudicial à saúde?”, somente 65% dos não-fumantes e 43% dos fumantes responderam afirmativamente.

O termo cunhado pela equipe de Winickoff ─ é um conceito relativamente novo, mas a preocupação com esse tipo de efeito é bastante antiga, embora somente há pouco tempo tenham surgido os primeiros estudos. Segundo Stanton Glantz, diretor do Centro de Pesquisa e Educação para o Controle do Tabaco, da University of California, em São Francisco, “o nível de toxicidade na fumaça do cigarro é astronômico, se comparado a outras toxinas ambientais, como as partículas expelidas pelo escapamento de veículos”. Entretanto, Glantz ressalta que desconhece qualquer estudo relacionando o fumo de terceira mão a doenças, como acontece com o fumo passivo.
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