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Gentileza é fonte de status em algumas culturas

Estudo revela diferentes estratégias na busca de reconhecimento profissional 

Créditos: ISTOCKPHOTO; FONTE: “CULTURA, INSTITUIÇÕES E A RIQUEZA DAS NAÇÔES”, POR YURIY GORODNICHENKO E GERARD ROLAND. ARTIGO 16368.  BUREAU NACIONAL DE PESQUISA ECONÔMICA, SETEMBRO de 2010

 
Por Mathew Hutson

Nos Estados Unidos, todo mundo sabe que quem é bom no que faz, ganha status – respeito, prestígio, admiração. Ser gentil vem em segundo lugar. Mas isso não é verdade em todos os lugares. Culturas diferentes têm valores diferentes e, para escalar a escada social, é preciso que abraçar esses valores.

Em um artigo recente publicado em Organizational Behavior and Human Decision Processes, Carlos Torelli, professor de marketing da University of Minnesota, comparou a influência do individualismo e do coletivismo com noções de status. Ele e seus colaboradores descobriram que americanos de ascendência europeia tinham uma tendência maior a demonstrar competência que latino-americanos – resolvendo problemas difíceis no trabalho, por exemplo – como estratégia para obter respeito profissional, enquanto latino-americanos tinham uma tendência maior a demonstrar gentileza, talvez ao se oferecerem para ajudar colegas de trabalho.

Além disso, pessoas que são individualistas veem status como um sinal de competência, mas não gentileza, enquanto pessoas que são coletivistas associam a gentileza, mas não a competência, com status.

O fracasso em reconhecer essas diferenças culturais pode criar conflitos e decepções se, por exemplo, você e seu superior estiverem usando métricas diferentes para julgar seu desempenho.

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“Essa linha de pesquisa se baseia em minhas observações de diferenças entre políticos da América Latina e dos Estados Unidos”, explica Torelli.

Nos Estados Unidos, candidatos geralmente se candidatam com base em seus modelos de negócios – Mitt Romney e Michael Bloomberg, por exemplo. Na América Latina, Torelli verifica que líderes populistas frequentemente são idealizados como benfeitores altruístas que genuinamente se importam com o bem estar de seu povo, como Salvador Allende ou Hugo Chávez.

O texto original foi publicado na revista Scientific American MIND, em Novembro de 2014