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GLAST revela céu em raios-gama

Telescópio espacial de grande área em raios-gama, rebatizado com o nome de Enrico Fermi, revela imagens do céu nesse comprimento de onda

JR Minkel
NASA/DOE/Grupo internacional do LAT
Céu observado em raios gama pelo GLAST
Os primeiros resultados enviados por um potente telescópio em raios-gama, colocado em órbita em princípios de junho, mostraram que ele está apto a desvendar os segredos das explosões mais energéticas do Universo. Esta foi a notícia transmitida por um grupo de pesquisadores da Nasa em uma teleconferência onde apresentaram a descoberta e anunciaram o novo nome da missão.

Jon Morse, diretor da divisão de astrofísica da Agência Espacial da Nasa em Washington, D.C., anunciou que o telescópio espacial de grande área em raios-gama (GLAST em inglês) será renomeado como telescópio espacial de raios-gama Fermi, em homenagem ao físico Enrico Fermi, que recebeu o prêmio Nobel de física em 1938.

Lançado em 11 de junho, o GLAST foi construído para esquadrinhas fontes de raios-gama do espaço, particularmente aquelas geradas por fortes explosões produzidas por buracos negros situados no núcleo de galáxias ativas, e explosões de raios-gama (GRB em inglês), as mais brilhantes do Universo.

Pesquisadores apresentaram os primeiros resultados enviados por dois instrumentos do GLAST. O Large area telescope (LAT) faz varreduras completas do céu uma vez a cada duas órbitas (cerca de três horas). Durante as primeiras 95 horas de funcionamento, o telescópio gerou um mapa do céu comparável àquele obtido pelo telescópio para experimento em raios-gama energéticos (EGRET) durante nove anos de observação, na década de 1990.
Pontos bem conhecidos, como o pulsar de vela - a mais intensa fonte contínua de raios-gama do céu - se destacam do fundo de radiação difusa gerada por raios cósmicos energéticos, que bombardeiam o gás interestelar. Steve Ritz, cientista do projeto GLAST, do Centro Aeroespacial de Greenbelt, Maryland, destaca que o GLAST produziu esse mapa em dias, enquanto que o EGRET levou anos para fazê-lo.

Ritz comparou a primeira visão do GLAST do espaço com a primeira visão que uma pessoa recém recuperada de uma cirurgia corretiva da vista tem do mundo. A primeira imagem foi deslumbrante: incluía a galáxia ativa 3C454.3 situada a sete bilhões de anos luz da Terra. “Quando o LAT foi acionado, foi surpreendente. Impossível descrever a cena. Não se parecia em nada com a obtida anteriormente” com o EGRET, comentou Peter Michelson, da Stanford University em Palo Alto, Califórnia, e pesquisador principal do LAT.

O telescópio Fermi também se mostrou perfeito na identificação de GRBs - que era o objetivo do segundo instrumento, o monitor de explosões do GLAST, que detectou 31 explosões no primeiro mês de atividade ou cerca de uma explosão por dia, relatou Charles “Chip” Meegan, pesquisador principal do experimento, do Centro Aeroespacial Marshall em Huntsville, Alabama. Bem diferente do LAT, o monitor de explosões estava pronto para entrar em operação quase que imediatamente após ser ligado.

O novo nome do GLAST homenageando Enrico Fermi mostra que o mistério do céu em raios-gama continua. Fermi é conhecido por ter construído o primeiro reator atômico em 1942. Foi um brilhante físico teórico e o primeiro a propor um mecanismo pelo qual objetos cósmicos poderosos poderiam acelerar elétrons o suficiente para gerar raios-gama.

Ainda não se conhece com certeza os mecanismos que ocorrem no núcleo de galáxias ativas e nas GRBs, mas acredita-se que o GLAST permitirá testar modelos a partir de medidas precisas de fulgurações que ocorrem de agora em diante. Ritz acredita que no ritmo em que os dados estão sendo coletados até agora, “estamos juntando uma quantidade enorme de dados promissores, que, esperamos, poderão levar a importantes descobertas”.