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Google investe para expandir acesso à internet

Plano de investimento em frota de satélites supera US$ 1 bilhão

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O plano da empresa de comprar 180 pequenos satélites de alta capacidade complementa seus outros projetos para estender o acesso à internet a áreas remotas e mal servidas

 

Por Elizabeth Palermo e LiveScience

A decisão de comprar 180 pequenos satélites de alta capacidade é apenas o primeiro passo de um projeto que poderia custar ao gigante de buscas mais de US$ 3 bilhões, informou o The Wall Street Journal (WSJ). O preço valor total do projeto depende da decisão de prosseguir para a segunda fase, dobrando o número de satélites necessários, de acordo com informações fornecidas por funcionários da Google ao jornal.

O novo empreendimento está sendo liderado por Greg Wyler, fundador da startup de comunicações O3b Networks, Ltd., apoiada por satélites e financiada, entre outros, pela Google. Wyler e um ex-diretor de tecnologia da O3b recentemente foram contratados pela Google para liderar o novo esforço, informou o WSJ. Sabe-se que a empresa de Wyler também está contratando engenheiros da empresa de satélites Space Systems/Loral LLC. [Vídeo, em inglês: Google to Spend Billions on Satellites for Internet Everywhere].

O céu é o limite

O projeto de satélites da Google é um dos vários novos empreendimentos destinados a expandir o acesso à internet para áreas remotas do mundo. No ano passado, a empresa anunciou o Projeto Loon, uma rede aérea sem fio que utiliza balões que operam em altitude elevada para fornecer serviço de internet a usuários em áreas rurais e/ou mal servidas.

Recentemente, a Google também adquiriu a Titan Aerospace, uma empresa que desenvolve drones ultraleves movidos a energia solar que poderiam substituir todos os balões do Projeto Loon.

Em entrevista ao WSJ, Tim Farrar, diretor da empresa de consultoria sobre satélites TMF Associates, declarou que, para a Google, drones e satélites poderiam se complementar muito bem. Segundo Farrar, drones oferecem um serviço melhor de alta capacidade em áreas menores, enquanto satélites proporcionam uma cobertura mais ampla em regiões onde a demanda é menor.

Os satélites desenvolvidos atualmente pela O3b Networks para a Google são relativamente pequenos, pesando aproximadamente 113 kg, informou o WSJ. Isso os diferencia acentuadamente dos satélites de cerca de 680 kg que a empresa produz normalmente. De acordo com relatos da mídia, devido a acordos de sigilo, detalhes adicionais sobre o possível aspecto dos novos equipamentos da Google são difíceis de obter.

A O3b Networks, no entanto, (o nome da empresa se refere aos “outros 3 bilhões” (“other 3 billion”) de pessoas no mundo sem acesso à internet), já tem quatro de seus próprios satélites em órbita e planeja lançar mais quatro em julho deste ano.

Cobertura mais rápida e barata?

Atualmente, a O3b fornece conectividade de internet a estações de base de operadoras de celulares, relatou a MIT Technology Review (a revista do Massachusetts Institute of Technology sobre inovações, com artigos on-line sobre tecnologias específicas). O envolvimento da empresa poderia ser uma boa notícia para pessoas em partes remotas do mundo, porque os satélites O3b oferecem um meio superior (e mais barato) de acesso à internet de alta velocidade que satélites convencionais, salientou o artigo da MIT Technology Review.

Em comparação com empresas de internet convencionais, cujos satélites orbitam a aproximadamente 35 mil km acima da Terra, os aparelhos da O3b se movem a cerca de 8 mil km da superfície do planeta.

Essa diferença em altitude também resulta em um lapso (“atraso”) de transmissão. Enquanto os usuários da O3b lidam com um intervalo de 150 milissegundos em sua cobertura de internet (o tempo que leva para os sinais de rádio irem e voltarem entre a estação de base da operadora e o satélite), os que têm outras conexões podem enfrentar lapsos de 600 milissegundos pelo mesmo serviço. Essa diferença, de acordo com a MIT, em geral é considerada excessiva, pelo menos para uso comercial.

A incursão da Google na esfera do serviço de internet por satélite poderia acelerar a cobertura para centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo, afirmou o porta-voz da empresa de tecnologia ao WSJ. Ela também salientou que quase dois terços (60%) da população global não têm nenhum acesso à internet.

Apesar do entusiasmo da Google pelo novo projeto, algumas pessoas fora da empresa manifestam cautela em relação à aventura do gigante de buscas rumo à estratosfera. Roger Rusch, que dirige a empresa de consultoria da indústria de satélites TelAstra, Inc., disse ao WSJ que o projeto da Google é um “sonho mirabolante”, uma ilusão, e que a empresa acabará gastando muito mais no esforço do que previsto originalmente, talvez algo em torno de US$ 20 bilhões.

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Acesse também (em inglês):

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Sciam 5 de junho de 2014

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