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Governo americano reforça acesso aberto

A gratuidade da informação científica é tendência internacional e foi ampliada nos Estados Unidos 

Alexander Raths/Shutterstock
Por Bonnie Swoger                   

Na semana passada, a administração Obama lançou uma diretiva declarando que cientistas têm que compartilhar os resultados de suas pesquisas financiadas por contribuintes. Eu fiquei feliz de ouvir isso, já que sempre fui uma grande defensora do compartilhamento (bom, minha irmã caçula pode discordar desse “sempre”, mas você entendeu).

“Mas espere aí”, você pode dizer, “Os cientistas estavam guardando esses resultados para si mesmos?”

Não exatamente, mas os resultados desses estudos científicos nem sempre ficam disponíveis para todo mundo. Resultados de pesquisas científicas são publicados em periódicos acadêmicos que não são vendidos em sua livraria local. Enquanto alguns desses periódicos compartilham seu conteúdo com qualquer pessoa online, a maioria deles não está disponível gratuitamente.

Acessar artigos nesses periódicos de “acesso restrito” pode ser bem difícil para o contribuinte americano médio que não está afiliado a uma universidade de pesquisa. Isso pode exigir uma assinatura (às vezes bem cara). Se você não tem uma assinatura, pode conseguir comprar uma cópia eletrônica do artigo de 10 páginas por US$20 ou US$40 (normalmente mais caro que um livro de capa dura). Você também pode tentar encontrar uma instituição acadêmica local que já tenha uma assinatura. 


  • Dê vários telefonemas e visite um monte de websites de bibliotecas, procurando uma que já tenha uma assinatura,

  • Encha o tanque (quanto está custando agora?),

  • Dirija até a biblioteca,

  • Tente encontrar o estacionamento para visitantes da universidade (por que o estacionamento para visitantes é tão longe de tudo que você quer visitar?),

  • Registre-se para ter um cartão de visitante da biblioteca (será que eles têm isso?),

  • Tenha esperança de que a equipe da biblioteca consiga registrá-lo em um computador,

  • Tenha esperança de que o acordo de licenciamento entre a biblioteca e a editora permita que usuários não-afiliados acessem o conteúdo de que você precisa.


Isso, é claro, supondo que você more perto o suficiente de uma instituição que tenha o periódico que você quer para dirigir até lá.

 Mas a nova diretiva da Casa Branca pede para cientistas terem certeza de que seu trabalho seja compartilhado mais abertamente. Muitas outras iniciativas de universidades e sociedades científicas também encorajam isso.

 A Casa Branca pediu para cada agência federal que gasta mais de US$100 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento formular uma política exigindo que cientistas que recebem financiamento federal se certifiquem de que os artigos resultantes publicados em periódicos estejam disponíveis ao público dentro de 12 meses, a contar da data de sua publicação original. O Instituto Nacional de saúde já tem uma política assim, e qualquer um pode ler esses artigos gratuitamente na PubMed Central (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/). Essa nova diretiva pedirá que a Fundação Nacional de Ciências, o Departamento de Energia, e outras agências solicitem que os cientistas financiados façam algo semelhante.

 A prática de tornar artigos de periódicos acadêmicos disponíveis sem custo aos leitores é chamada de Acesso Aberto [Open Access], e eu acredito que ela é a extensão natural do senso de comunidade e avanço de conhecimento que move a ciência.

Um muito obrigado à administração Obama e a todos os defensores do acesso aberto que trabalharam para explicar esses problemas a pesquisadores e legisladores!