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Governo chinês admite piora da poluição rural em 2012

Indústrias, mineradoras e expansão pecuária são as principais causas

TonyV3112/Shutterstock
Em janeiro, os níveis de particulados no ar das cidades geraram protestos e medidas. Em relatório recente, governo reconhece o aumento da poluição em áreas rurais
PEQUIM (Reuters -4jun2013) – A poluição na vasta zona rural da China piorou em 2012 como resultado da invasão de terras de cultivo por parte de indústrias e mineradoras, além de uma expansão da pecuária, declarou na terça-feira [4 de junho] o ministro de meio-ambiente.

A poluição emerge como um dos maiores desafios do Partido Comunista e de seus líderes recém-apontados, com o governo reconhecendo que a baixa qualidade do ar e da água se tornou uma das maiores causas de inquietação.

Espera-se que o governo anuncie novas medidas rígidas para reduzir emissões industriais até o fim do mês, mas a zona rural poderia ser um desafio ainda mais difícil uma vez que especialistas identificam as fazendas da China atualmente como uma fonte de poluição ainda maior que as cidades.

`Com a industrialização, a urbanização e a modernização da agricultura, a situação para o ambiente rural se tornou sombria`, declarou o Ministério de Proteção Ambiental em seu relatório anual do ano passado.

 `Os pontos de destaque são um aumento na pressão da poluição oriunda da mineração... e a severa poluição produzida pela criação de gado e aves`.

Em seu relatório anual, o Ministério de Proteção Ambiental reconheceu que a China continua a enfrentar graves problemas de poluição apesar das melhorias gerais na qualidade do ar e da água em 2012.

O relatório descreveu 2012 como um ponto de virada significativo após a liderança recém-indicada da China prometer construir uma `linda China` e abordar as consequências de três décadas de crescimento desenfreado.

Mas o ministério também apontou ainda que as condições ambientais gerais não tenham piorado em 2012, `as tendências continuam extremamente sérias`.

A qualidade do ar em cidades permaneceu `realtivamente estável` em 2012, com emissões de dióxido de enxofre – um poluente emitido principalmente pela queima de carvão – caindo 4,52%, para 21,18 milhões de toneladas.

O ministério não forneceu dados de material particulado em suspensão com um diâmetro de menos de 2,5 micrômetros [PM 2,5], provocado pela queima industrial de carvão e emissões de veículos, que representa um grande risco para a saúde.

Em janeiro, os níveis de PM2,5 em grandes regiões do norte da China, incluindo a capital Pequim, provocaram a revolta pública geral e forçaram as autoridades a adotar medidas de emergência para reduzir o tráfego de veículos e fechar indústrias poluentes.

Wan Bentai, engenheiro chefe do ministério do meio ambiente, declarou á imprensa na semana passada que apesar da crise de janeiro, provocada em parte por “condições climáticas únicas”, a qualidade do ar na China vem melhorando constantemente há pelo menos uma década.

“Posso dizer com certeza que a qualidade do ar de Pequim está melhorando cada vez mais – esse é um fato objetivo”, declarou ele.

O ministério do meio ambiente declarou que a qualidade da água também teve uma leve melhora em 2012, com 68,9% das amostras consideradas adequadas para o consumo humano, em comparação com os 61% do ano anterior. O ministério observou que 10,2% da água amostrada estava abaixo da nota V, imprópria até mesmo para a indústria ou irrigação, em relação aos 13,7% de 2011.

(Reportagem de David Stanway; Reportagem adicional de Ben Blanchard; Edição de Ron Popeski) 

 sciam5jun2013