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Grandes cérebros dos cetáceos estão ligados a sua rica vida social

Estudos de baleias e golfinhos podem oferecer informações sobre a evolução humana

Winky/Wikimedia Commons
Orcas possuem dialetos específicos de grupo, cachalotes cuidam dos filhotes umas das outras e golfinhos nariz-de-garrafa cooperam com outras espécies. Essas habilidades sociais estão todas intimamente ligadas ao tamanho dos cérebros dos mamíferos aquáticos, de acordo com um recente estudo publicado na Nature Ecology & Evolution.

Cientistas propuseram uma relação entre a vida social e a expansão cerebral, ou encefalização, pela primeira vez há quase três décadas, quando descobriram que as espécies de primatas com cérebros maiores tipicamente viviam em grupos maiores. Essa teoria foi ampliada posteriormente para associar o tamanho do cérebro a outras características sociais, como resolução de conflitos e alocação de alimento.

Michael Muthukrishna, psicólogo econômico da Escola de Economia de Londres, e seus colegas foram procurar por ligações semelhantes entre grandes cérebros e sociabilidade em cetáceos - a ordem de mamíferos que inclui baleias, golfinhos e botos. Compilaram um conjunto abrangente de dados sobre a massa corporal e cerebral, tamanho de grupos e características sociais de cetáceos. As análises da equipe, as quais contemplaram 90 espécies, revelaram que o tamanho do cérebro era melhor previsto por uma pontuação baseada em vários comportamentos sociais, tais como cooperação com outras espécies, caça em grupo e vocalizações complexas. Cérebros maiores também eram ligados a outros fatores, incluindo riqueza de dieta e alcance geográfico.

Os autores dizem que esses resultados são consistentes com teorias de que os cetáceos desenvolveram cérebros maiores para lidar com os desafios de viverem em ambientes sociais cheios de informação. No entanto, Robert Barton, biólogo evolutivo da Universidade Durham, na Inglaterra, que não fez parte do trabalho, alerta contra tirar conclusões de causalidade tendo correlações como ponto de partida. Ele também afirma que é importante examinar regiões específicas do cérebro, pois elas podem ter evoluído de maneira diferente. Por exemplo, sua própria equipe de pesquisa descobriu que os cérebros de primatas noturnos desenvolvem estruturas olfativas - regiões associadas ao cheiro - maiores, em comparação àquelas encontradas em espécies de animais que são ativas durante o dia.

Muthukrishna observa que a principal limitação de seu estudo é a falta de pesquisas disponíveis sobre várias espécies de cetáceos. Descobrir mais sobre baleias e golfinhos poderia revelar que outros fatores - como tempo de vida e duração da fase juvenil - também podem estar envolvidos no tamanho do cérebro, ele acrescenta.

Entender como os cetáceos desenvolvem cérebros tão grandes poderia, por fim, nos ajudar a juntar as peças da história evolutiva da própria humanidade. Como esses animais ocupam um ambiente completamente diferente dos humanos, diz Muthukrishna, “eles nos fornecem um grupo de controle útil para testar hipóteses sobre a evolução humana.”

Diana Kwon e Amanda Montañez
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