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11 de dezembro de 2008
Granjas produzem frangos com gripe aviária congênita
Reduzir o patrimônio genético para aumentar a produção de carne e ovos pode levar a conseqüências imprevisíveis
por David Biello
USDA
Frango frito: Frangos criados para abate têm diversidade genética muito limitada, o que as torna vulneráveis a desenvolver facilmente doenças, como a gripe aviária.
No final dos anos 80 milhares de frangos morreram de câncer causado pelo chamado vírus J, da leucose aviária, porque todos eles descendiam de alguns galos suscetíveis à doença.

Esse é apenas um exemplo de como a falta de diversidade genética pode colocar em risco a criação de animais e a agricultura. Situações semelhantes ocorrem com freqüência: da escassez da batata, na Irlanda do século 19, à criação de gado para o comércio da carne ─ um touro chamado Ivanhoé passou sua suscetibilidade genética de disfunção do sistema imunológico para cerca de 15% dos touros Holstein nos Estados Unidos atualmente. Um estudo recente, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences USA, mostra que os 40 bilhões de frangos criados para abate ─ visando à produção de carne e ovos ─ têm metade da diversidade genética de seu próprio genoma, tornando-as suscetíveis a outros surtos ameaçadores de doenças.

A equipe do especialista em doenças aviárias Hans Cheng, do Departamento Americano de Agricultura comparou a variedade dos genes em mais de 2.500 frangos, dos quais 1.440 eram de granjas. Alguns tinham perdido cerca de 90% dos genes expressos por seus similares, como o frango selvagem vermelho da Ásia, que deu origem a todos os frangos, ou mesmo espécies criadas em cativeiro sem fins comerciais, como a galinha sedosa da China. Em média, os frangos de granja perderam pelo menos 50% dos genes presentes em seu genoma original.

“Esta falta de diversidade genética nas linhagens comerciais é mais comum devido ao uso de um limitado número de frangos de cativeiro para formar as populações das granjas”, comenta Cheng. “Essa linhagem comercial pode sofrer pela falta de diversidade genética necessária para combater doenças novas e emergentes”.
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