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Descoberto hormônio promissor para tratamento de diabetes

Composto induz aumento da produção de insulina em ratos

Solimena Lab, Med. Fac., Da Universidade de Tecnologia de Dresden, Alemanha
Células beta, responsáveis pela produção de insulina, podem ter sua replicação muito aumentada na presença de betatrofina, hormônio que acaba de ser descoberto e tem chances de ser um pderoso alidado no tratamento de diabetes. Na imagem, a imagem por microscopia óptica do tecido pancreático mostra as células beta (verde) e os núcleos das células (azul).
Por Chris Palmer e revista Nature

Biólogos encontraram um hormônio hepático que acelera o crescimento de células secretoras de insulina no pâncreas, uma descoberta que, esperam, levará a novos tratamentos para o diabetes.

Uma equipe liderada por Douglas Melton, codiretor do Instituto de Células-Tronco de Harvard em Cambridge, Massachusetts, identificou o hormônio, betatrofina, ao induzir resistência a insulina em ratos usando um peptídeo que se liga a receptores de insulina.

Isso fez com que as células β pancreáticas dos animais, secretoras de insulina, se proliferassem. Em seguida os pesquisadores procuraram genes que apresentaram atividade aumentada, visando encontrar o responsável pela produção de betatrofina.

Outros experimentos mostraram que a injeção e betatrofina em ratos de oito semanas provoca o aumento médio de 17 vezes na replicação de células β pacreáticas, relataram os pesquisadores na Cell. A betatrofina também é encontrada no fígado humano, explica a equipe.

“É raro descobrir um novo hormônio, e esse é interessante por ser muito específico”, declara Melton. “Ele só funciona em células β, e é muito potente”.

Células β pancreáticas se replicam rapidamente durante estágios embrionários e neonatais tanto em ratos quanto em humanos, mas seu crescimento é dramaticamente reduzido em adultos.

A redução da atividade das células ao longo da vida é a principal causa do diabetes tipo 2, um transtorno metabólico que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo todo.

Apenas nos Estados Unidos, as duas formas de diabetes – tipo 2 e tipo 1, a segunda provocada por um ataque autoimune a células β pancreáticas – são responsáveis por US$176 bilhões em gastos médicos diretos todos os anos.

Esperança de tratamento

Melton acredita que injeções de betatrofina uma vez por mês, ou talvez até uma vez por ano, poderiam induzir atividade suficiente em células β pancreáticas para fornecer o mesmo nível de regulação de açúcar no sangue para pessoas com diabetes do tipo 2 que injeções diárias de insulina.

O mais importante, adiciona ele, é que elas provocariam menos complicações porque o corpo estaria produzindo sua própria insulina. Ele também espera que a betatrofina seja capaz de ajudar pessoas com diabetes do tipo 1.

Para Matthias Hebrok, diretor do Centro de Diabetes da University of California, San Francisco, o trabalho “é um grande avanço”. “As descobertas são muito interessantes” Acrescenta que gostaria de ver os experimentos repetidos em ratos mais velhos. “Será que ratos em idade avançada e prestes a apresentar diabete são capazes de fazer [com que as células β] voltem a proliferar devido ao tratamento com betatrofina?”, pergunta ele. 

A identificação de um fator como a betatrofina, que estimula a replicação de células β em ratos com alta  eficiência é muito importante. Com esta informação, é possível programar estudos para elucidar os mecanismos responsável pela replicação com células β, na opinião de Henrik Semb, diretor administrativo do Centro Dinamarquês de Células-Tronco, em Copenhague.

A replicação de células β se provou difícil de controlar em humanos.

De acordo com Melton, que também está trabalhando para identificar o receptor dos hormônios e seu mecanismo de ação, produzir betatrofina suficiente para testes clínicos em humanos ainda deve cerca de dois anos.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 25 de abril de 2012.

2maio2013