Notícias
  
03 de março de 2009
Hubble encontra dióxido de carbono em exoplaneta
O Telescópio Espacial Hubble encontrou dióxido de carbono na atmosfera de um exoplaneta. Descoberta é importante na busca de evidências de vida extraterrestre.
por Ray Villard
ESA, NASA, M. Kornmesser (ESA/Hubble) e STScl.
Concepção artística de exoplaneta.
O planeta HD 189733b, do tamanho de Júpiter, é muito quente para abrigar vida. No entanto, observações feitas pelo Hubble mostram evidências de que a química básica para a vida pode ser encontrada em planetas que orbitam outras estrelas. Compostos orgânicos também podem ser subprodutos de processos ligados à vida e, algum dia, sua detecção em uma planeta semelhante à Terra poderá fornecer a primeira evidência de vida fora daqui.

Observações anteriores do HD 189733b, feitas pelo Hubble e pelo Telescópio Espacial Spitzer, tinham encontrado vapor d’água. No começo de 2008, o Hubble descobriu metano na atmosfera desse planeta.

“O Hubble foi desenvolvido principalmente para observações de regiões remotas do Universo, no entanto está inaugurando uma nova era para a astrofísica e a ciência planetária comparada”, avalia Eric Smith, cientista do programa Telescópio Espacial Hubble, no quartel-general da Nasa, em Washington. “Esses estudos atmosféricos poderão identificar as composições e os processos químicos que ocorrem em planetas distantes que orbitam outras estrelas. O futuro para essa fronteira recém-ultrapassada da ciência é extremamente promissor, uma vez que esperamos encontrar muitas outras moléculas nas atmosferas de exoplanetas.”

Mark Swain, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, Califórnia, utilizou a câmara de infravermelho próximo do Hubble e o espectrômetro multi-objeto para estudar a luz infravermelha emitida pelo planeta, que percorre uma distância de 63 anos-luz. Gases na atmosfera do planeta absorvem certos comprimentos de onda da luz provenientes de seu interior incandescente e quente. Swain identificou dióxido e monóxido de carbono. As moléculas deixam uma impressão digital espectral única na radiação emitida pelo planeta e que chega à Terra. Esta é a primeira vez que um espectro de emissão no infravermelho próximo é obtido de um exoplaneta.
1 2 »
Ray Villard colaborou recentemente com a artista Linette Cook em infinite worlds: an illustraded voyage to planets beyond our Sun (Mundos infinitos: uma viagem ilustrada aos planetas além do Sol) California University Press, 2005.
Veja aqui todas as notícias publicadas neste site!