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Astrônomos anunciam galáxia mais distante

A luz da galáxia mais distante pode ter levado mais de 13 bilhões de anos para chegar aos telescópios humanos

John Matson
NASA; ESA; G. Illingworth, UCO/Lick Observatory and the University of California, Santa Cruz; R. Bouwens, UCO/Lick Observatory and Leiden University; and the HUDF09 Team
Hubble Ultra Deep Field
O título de galáxia mais distante conhecida mudou muito de dono nos últimos anos, conforme várias equipes de pesquisadores divulgaram objetos cada vez mais remotos no Universo primitivo. Agora um grupo de astrônomos usando o Telescópio Espacial Hubble provavelmente identificou um novo recordista: uma galáxia tão distante que sua luz levou a maior parte da história de 13,7 bilhões de anos do Universo para chegar aos telescópios da humanidade.

Ao observar uma época poucos milhões de anos após o big bang o Hubble encontrou uma galáxia, conhecida como UDFj-39546284, que aparece como pouco mais que um tênue borrão de luz infravermelha.

A galáxia já tinha tido sua vez como a mais distante conhecida – foi identificada anteriormente por um grupo diferente de astrônomos usando imagens do Hubble, mas depois foi suplantada por uma descoberta mais recente, e aparentemente mais distante.

Os novos dados, porém, sugerem que a UDFj-395446284 esteja a um desvio para o vermelho de 11,9, o que corresponde a 380 milhões de anos após o Big Bang.

Isso é ainda mais distante do que se acreditava, colocando essa antiga galáxia de volta no topo da lista. (O desvio para o vermelho [redshift], que quantifica o quanto o comprimento de onda da luz emitida por um objeto se estendeu em direção à extremidade vermelha do espectro em um Universo em expansão, é a medida preferida dos astrônomos para objetos distantes).

Ainda mais importante para os cosmólogos, porém, é que a nova pesquisa identifica não apenas um, mas sete objetos que provavelmente são galáxias distantes, todas elas com um desvio para o vermelho de 8,5 ou maior – isto é, 600 milhões de anos depois do big bang.

Os resultados do censo cósmico podem ajudar pesquisadores a determinar exatamente o que aconteceu nos primeiros bilhões de anos de história cósmica, quando luz ultravioleta das primeiras estrelas e galáxias ionizaram o hidrogênio do meio intergaláctico, opaco até então.

A época da re-ionização, como é conhecida, efetivamente eliminou uma névoa cósmica onipresente e deixou o Universo no estado transparente que hoje nos permite observar objetos a bilhões de anos-luz de distância. 

“É claro que o objeto mais distante é interessante”, declarou Richard Ellis do California Institute of Technology, principal autor do estudo que deve ser publicado em The Astrophysical Journal Letters. “Mas é o censo, são esses sete objetos, que nos dão a primeira indicação da população de objetos no coração dessa era de re-ionização”, observou ele em 12 de dezembro, em uma teleconferência sobre as descobertas.  

Em conjunto com estudos sobre galáxias algumas centenas de milhões de anos mais jovens, as novas observações oferecem pistas sobre o ritmo da re-ionização. “No artigo, descrevemos um declínio bem suave no número de objetos conforme analisamos o passado da história cósmica, a era da re-ionização”, explicou ele. “A re-ionização é um processo estendido. Ela está associada com o crescimento gradual das galáxias”.

Mas a re-ionização provavelmente começou aproximadamente 200 milhões de anos antes das galáxias mais antigas que o Hubble descobriu. O começo da história, assim, pode ter que esperar pelo sucessor do Hubble, que deve ser lançado em 2018. “Isso pode muito bem ser o máximo que o Hubble consegue ver da era da re-ionização”, apontou Ellis. “Mas nós fazemos previsões confiantes de que haverá muito mais galáxias além dessas na era da re-ionização que podem ser exploradas com o Telescópio Espacial James Webb”.

De acordo com o chefe científico da NASA, John Grunsfeld, que ajudou a consertar e aprimorar o Hubble pela última vez em 2009, como astronauta: “Nós realmente estamos levando o Hubble para muito além do que já se imaginou que ele faria”. 
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