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Humanoide ainda não convence

Atendente robótica estreou em loja no Japão e pequeno robô dá informações em banco

CNET
por Katherine Harmon Courage 

 

Uma funcionária incomum estreou na semana passada na elegante loja de departamentos Mitsukoshi em Tóquio, no Japão.

Seu nome é Aiko Chihira e ela é procedente de Kawasaki, pouco ao sul da capital japonesa.

Funcionária incansável, Chihira recita um discurso excelente e detalhado sobre a imensa loja, de 12 andares, e seus próximos eventos.

Mas, de acordo com seus patrões, ela não é uma boa ouvinte.

De fato, embora fale fluentemente japonês, e até domine a linguagem de sinais nesse idioma, perguntas de fregueses frequentemente ficam sem resposta.

Na realidade, seus ouvidos habilidosamente esculpidos como os de humanos, não respondem.

Chihira é um robô humanoide de tamanho humano real, mas incapaz de conversar, que permaneceu na loja até 5 de maio.

Atualmente, ela só “tagarela” informações em japonês, mas também sabe falar, e cantar, em outras línguas.

Essa criação da Toshiba fez sua estreia pública na Combined Exhibition of Advanced Technologies (CEATEC) do Japão, no final de 2014, mas sua aparição na Mitsukoshi marca seu primeiro “trabalho” direto com clientes.

Robôs trabalhando ao lado de pessoas não são exatamente uma novidade.

Eles têm sido uma parte do mundo de produção há décadas, mas em geral em forma muito menos humana.

Foi só recentemente que ganharam aparências tão realistas e passaram a ter um desempenho no mundo mais personalizado de atendimento a clientes

Uma semana antes de Chihira chegar ao seu cargo na Mitsukoshi, um robô menor começou a trabalhar em período integral no Banco de Tóquio, sede da Mitsubishi UFJ.

O robô “Nao” mais parece um personagem amigável de um desenho em quadrinhos que um falso humano.

Produzido pela Aldebaran Robotics, o Nao, do tamanho de uma criança pequena, é capaz de entender e responder a perguntas de clientes em japonês, chinês e inglês.

Ele pode até reconhecer expressões faciais humanas, de acordo com reportagem do The Wall Street Journal.

Nesse verão boreal, um robô maior da Aldebaran, chamado Pepper, deverá estrear no Banco Mizuho do Japão.

Com preço em torno de US$ 2.000, Pepper foi criado com o objetivo de levar robôs para domicílios, assim como balcões de lojas.

Mas, o que distingue Chihira de seus outros companheiros de serviços, além de sua inaptidão interpessoal, é sua aparência humanoide.

Trajada em um quimono e tradicionais sandálias japonesas, ela foi criada para se assemelhar a uma mulher japonesa média de seus 30 anos.

Os detalhes em seu rosto e nas mãos são impecáveis.

De longe certamente seria possível confundi-la com um humano.

Mas, assim que começa a se mover, ela é rapidamente identificável como máquina.

Mesmo entre os funcionários graduados extremamente formais e bem-treinados da loja, suas poucas dezenas de motores tornam seus movimentos distintamente mecânicos.

Sua cabeça e o tronco giram para a direita e a esquerda (ela também pode se curvar) e seus braços parecem deslizar em planos definidos.

Certamente o caminho ainda parece longo antes que esse agradável, C-3PO [referência ao androide do mundo fictício de Guerra nas Estrelas] de “carne e osso” seja confundido com um humano vivo em ação ou talvez até entrar no chamado “vale da estranheza”.

[O vale da estranheza (uncanny valley, em inglês) é uma hipótese no campo da estética robótica e animação 3D segundo a qual quando réplicas humanas parecem e se comportam de um jeito muito parecido — mas não idêntico — a humanos reais, elas provocam repulsa entre alguns observadores humanos.]

Após um breve período nas proximidades da entrada principal da histórica loja, Chihira foi transferida para uma vitrine no sétimo andar para tagarelar lá em cima.

Em uma quinta-feira à noite, três dias após sua chegada à, alguns fregueses curiosos, ou talvez “caçadores de robôs”, pararam por alguns minutos para observar Chihira exercendo sua função.

A maioria pareceu silenciosamente interessada e impressionada com seus traços realistas e a atenção dedicada a detalhes, como a coloração de seu rosto e as finas linhas naturais, mimetizando pele, em suas mãos.

Mas nessa movimentada metrópole repleta de alta tecnologia ninguém pareceu terrivelmente chocado ou preocupado.

Chihira ainda não está pronta para assumir os empregos das bio-unidades ao redor dela.

Pelo contrário, ela e seus congêneres ainda são geradores de empregos para programadores, engenheiros, designers e guias ou acompanhantes humanos.

E, pelas aparências, tudo indica que esses humanos ainda têm muito trabalho pela frente.

Publicado em Scientific American em 4 de maio de 2015.