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Ideias Verdes

Invenção de adolescente economiza combustível de ônibus escolares

Julia Pyper e ClimateWire
GreenShields
Economia de combustível não costuma ser o assunto mais popular entre jovens, mas para Jonny Cohen, de 17 anos, o tema é uma paixão. O garoto encontrou uma forma de aumentar a eficiência do combustível de ônibus escolares, reduzindo custos e diminuindo emissões de gases estufa.

A ideia surgiu quando Cohen voltava a pé para casa, aos 12 anos. O garoto, que estava no sétimo ano, fazia um curso de verão na Northwestern University, sobre aerodinâmica, e percebeu que deveria haver um meio de melhorar a forma robusta dos ônibus escolares.

“Eu gosto de ver coisas eficientes. As ineficientes gastam mais energia e são poluentes”, ressalta Cohen, que vive em Highland Park, em Illinois. “Eu compreendi que diminuir as emissões de carbono de um ônibus escolar poderia reduzir o aquecimento global”.

Com a ajuda de amigos e de sua irmã, Azza Cohen, um trabalho mais formal surgiu em 2008. Eles o chamaram de Projeto GreenShields (escudo verde, em tradução literal).

Azza, de 19 anos, conta que o irmão sempre foi inventor. Ele explodia objetos, fez seu próprio sistema de intercomunicação e produziu um aparelho para colocar queijo em um hambúrguer. Mas quando Cohen chegou até ela dizendo que poderia revolucionar os ônibus escolares, a garota não lhe deu muita atenção.

“Ele já tinha tido muitas ideias malucas antes, e eu nunca confiei muito nelas”, explicou a garota. “Ninguém costuma acreditar em uma criança de 12 anos quando ela diz que tem uma solução para um grande problema”.

As emissões de poluentes dos ônibus escolares são um grande problema. De acordo com a United States Environmental Protection Agency (U.S. EPA, em inglês, ou apenas EPA) a fumaça diesel contém poluentes que contribuem para a formação de ozônio, chuva ácida e mudança climática global. Além disso, a fina matéria particulada dos motores a diesel contribui para neblinas e pode provocar danos no pulmão, especialmente em crianças. Para reduzir a poluição gerada por esses veículos a EPA criou uma campanha nacional, mas ainda não existe nenhum produto ou programa como o GreenShields.
Troca de ônibus

A ideia original de Cohen era fixar uma cobertura transparente e melhorada do material acrílico geralmente usado no para-brisa de um ônibus escolar, com a intenção de fazer o veículo usar menos combustível. Já a “quarta geração” do GreenShields, produzida com ajuda do Instituto de Design Segal, da Northwestern University, tem uma aparência muito diferente. A nova proposta se parece com um capacete de esqui instalado no teto do ônibus, o que reduz custos com materiais e instalação – e uma pesquisa mostra que a eficiência é praticamente a mesma.


Testes virtuais feitos com ônibus escolares doados pela empresa Cook-Illinois Corp. comprovaram que o GreenShields melhora a economia de combustível em 10 a 20%. John Benish Jr., presidente da Cook-Illinois, declarou que se juntar ao GreenShields foi “perfeito” para a companhia, que já usa biodiesel na maioria de seus ônibus escolares. “Sempre procuramos maneiras de tornar os ônibus escolares um pouco mais verdes, melhores e mais eficientes”, reforçou ele.

Ônibus são a maneira mais segura de levar crianças para a escola, mas também gastam muito combustível, cerca de 1 litro a cada 1,5 a 2,5 quilômetros. Apesar de estudos mostrarem que o transporte coletivo tira em média 36 carros da rua, o GreenShields calcula que os ônibus escolares americanos ainda lançam 9 milhões de toneladas métricas de carbono na atmosfera todos os anos.

Com escolas gastando cerca de US$6.500,00 em combustível diesel por ônibus escolar por ano, e com cerca de 480 mil ônibus escolares no país, o grupo calculou que levar alunos de ônibus para as aulas custa mais de US$3 bilhões por ano. Com um GreenShields a economia por ônibus seria de US$600,00.

“Empresas de ônibus escolares poderão cobrar menos por seus serviços se usarem um GreenShields. Assim menos dinheiro será gasto com combustível e, espero, mais com educação”, destacou Cohen. Benish afirma que se sua empresa puder fazer um ônibus rodar por menos do que uma escola paga atualmente eles mandarão as economias para a instituição.
Dando um gás

O Projeto GreenShields só começou mesmo em 2010, quando a equipe ganhou um prêmio de US$25 mil no Pepsi Refresh Project. No mês passado a equipe do GreenShields conseguiu mais apoio com o prêmio de US$5 mil da Ashoka Youth Venture e do programa “Banking on Youth” da Fundação da Associação de Banqueiros Consumidores.

O GreenShields também apareceu no “Good Morning America”, no blog da Casa Branca e em um comercial da MTV. No ano passado Cohen foi nomeado um dos Top 30 under 30 da revista Forbes, na divisão de energia.

Tornar a ideia realidade, porém, ainda tem seus desafios, mesmo após quase cinco anos de testes e de publicidade. “É muito difícil manter o ímpeto inicial”, confessa Azza. “O que fazemos para manter as coisas em movimento é divulgar nosso nome, pressionar a mídia, mandar e-mails para nossos senadores e ligar para a EPA”, reforça ela. “Não podemos parar nunca, porque se pararmos ninguém vai nos dar ouvidos”.

 

A aprovação da EPA ou do Departamento de Transportes é a maior barreira que ainda resta para colocar o GreenShields em ônibus diários. A patente pendente do projeto expira em fevereiro, e o grupo espera ver alguma ação legislativa antes disso.

Economia inspiradora

Se o produto for aprovado e a economia de combustível for real, Benish afirma estar comprometido com o teste e a aplicação em sua frota. Um GreenShield artesanal custaria US$200,00, mas se mil ou mais unidades forem compradas, as produtoras de plástico criarão um molde e o preço cairá para US$30,00 (a Cook-Illinois tem 2300 ônibus diários). 

Cohen quer ser engenheiro mecânico e usar seu conhecimento para formar um negócio. Mas, no momento, ele e Azza estão preparando o GreenShields.  “Nunca vai acabar até que todos os ônibus escolares se tornem supereficientes”, diz o garoto. “Então eu acho que até lá há muito trabalho a ser feito”. Além desse projeto, Cohen tem outra ambição: “Queremos inspirar outros jovens para que eles façam mudanças, porque você não pode sempre esperar que outras pessoas as façam. Estou inspirado a promover transformações e espero que mais pessoas também, para que possamos ter um mundo melhor”.
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