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Identificados quatro novos carcinógenos

Compostos perigosos são empregados em limpeza, produção de artigos de borracha e conservantes de madeira

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Lista de cancerígenos agora inclui produto químico (ortotoluidina) utilizado para produzir matérias químicas de borracha, pesticidas e corantes. solvente de limpeza (1-bromopropano),  mistura para conservação de madeira (pentaclorofenol) e um componente encontrado em combustíveis e fumaça de cigarro (cumeno).
Identificados quatro novos carcinógenos

Agência do governo americano acrescenta quatro substâncias à sua lista de produtos cancerígenos

Por Megan Gannon e LiveScience

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS, em inglês) adicionou quatro novas substâncias a uma lista de produtos químicos que podem causar câncer, inclusive um solvente de limpeza e uma mistura para preservação de madeira.

A lista agora inclui um produto químico chamado ortotoluidina, utilizado para produzir matérias químicas de borracha, pesticidas e corantes. Pesquisas recentes o associaram ao câncer de bexiga em humanos.

As três outras substâncias consideradas “razoavelmente previstas como cancerígenos humanos” incluem um solvente de limpeza chamado 1-bromopropano, uma mistura para conservação de madeira conhecida como pentaclorofenol, e cumeno, que pode ser encontrado em produtos combustíveis e até em fumaça de cigarros/tabaco. [Ver 12 Worst Hormone-Disrupting Chemicals & Their Health Effects, em inglês.]

Em um comunicado, Linda Birnbaum, diretora do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental (National Institute of Environmental Health Sciences) e do Programa Nacional de Toxicologia salientou que “identificar substâncias em nosso meio ambiente que podem deixar pessoas mais vulneráveis a câncer ajudará em esforços preventivos”.

“Esse relatório constitui um recurso valioso para agências reguladoras de saúde e pesquisas, e fornece ao público informações que as pessoas podem aproveitar para reduzir a exposição a substâncias cancerígenas”, acrescentou.

Em1983, aortotoluidina foi classificada originalmente como sendo um carcinógeno humano “razoavelmente previsível”. Mas cientistas do HHS reavaliaram a substância com base em três estudos — um que envolvia operários que mexiam com corantes e outros dois que abrangiam trabalhadores que manuseavam compostos químicos de borracha e eram expostos regularmente à ortotoluidina.

De acordo com o HHS, os pesquisadores encontraram evidências suficientes para estabelecer uma ligação entre exposição à ortotoluidina e um risco aumentado de câncer de bexiga, e qualificar a substância química como agente cancerígeno conhecido.

Ratos também desenvolveram tumores de bexiga depois de ingerir ortotoluidina.

A substância não é mais produzida nos Estados Unidos, mas o país importa pelo menos 450 toneladas dela por ano, de acordo com o HHS.

As pessoas que correm o maior risco de exposição são funcionários que trabalham em indústrias químicas, onde a ortotoluidina é usada para produzir componetes químicos de borracha, corantes e agrotóxicos.

Autoridades do HHS alegaram não ter evidências suficientes para provar definitivamente que a exposição às outras três substâncias químicas pode causar câncer em humanos; no entanto, elas levam ratos e camundongos a desenvolver tumores, de acordo com a própria agência.

Em experimentos, roedores que inalaram vapores de 1-bromopropano, um solvente líquido que varia de incolor a amarelo claro, desenvolveram tumores em vários órgãos, inclusive na pele, nos pulmões e no intestino grosso.

A substância é utilizada como agente de limpeza em óptica, eletrônica e metais. E também se tornou popular na lavagem a seco, como um substituto para o percloroetileno, outro produto químico considerado um risco à saúde e ao meio ambiente.

De acordo com a revisão feita pelo HHS, camundongos que inalaram vapores de cumeno desenvolvem tumores pulmonares e hepáticos. O líquido inflamável, com odor semelhante ao da gasolina, é encontrado em alcatrão de carvão e petróleo, assim como na fumaça de tabaco. É utilizado principalmente para a produção de acetona e fenol.

O pentaclorofenol, uma substância utilizada para tratar postes, estacas ou empilhamentos de madeira e mourões, causou tumores no fígado e em outros órgãos de camundongos.

O 13º Relatório do HHS sobre Carcinógenos, que agora totaliza 243 substâncias, pode ser acessado on-line (em inglês) em: http://ntp.niehs.nih.gov/pubhealth/roc/roc13/index.html

Em pequenos estudos de humanos, a exposição a esse composto foi associada a um risco maior de câncer do sangue (leucemia) de linfoma não-Hodgkin. Mas o HHS considerou a evidência limitada demais para qualificar o pentaclorofenol como um agente cancerígeno conhecido.

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Scientific American, 3 de outubro de 2014