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Detalhes deslumbrantes de organismos vivos para viajantes

Exposição em aeroporto tem grande variedade de imagens de células

Imagens coloridas, de alta resolução, de um cérebro de camundongo e um embrião de peixe-zebra (Danio rerio) podem não ser a primeira coisa que você esperaria ver enquanto corre para embarcar em um vôo no Aeroporto Internacional de Dulles, nos arredores da capital americana. Mas a partir de julho é precisamente isso que muitas pessoas farão.

Quarenta e seis imagens científicas, inclusive a mostrada acima, cobrirão as paredes da Gateway Gallery do aeroporto como parte da exposição Life: Magnified (Vida: Magnificada) — que oferece aos visitantes um vislumbre de microscópicas estruturas biológicas ampliadas até 50 mil vezes.

Um cientista destacou uma possível causa para a doença de Alzheimer em sua imagem de um cérebro de camundongo com a doença neurodegenerativa, mostrada aqui.

Alvin Gogineni, um pesquisador associado da empresa de biotecnologia Genentech, queria ver se placas beta-amiloides, aglomerados anormais de fragmentos proteicos, interrompem o fluxo de mensagens que normalmente são transmitidas por neurônios no cérebro.

A imagem ao lado mostra uma seção do giro denteado do animal, uma área do cérebro responsável pela memória e aprendizagem (e que tipicamente está danificada em pacientes com Alzheimer). Gogineni projetou o experimento de tal modo que uma determinada luz deixou os neurônios do camundongo verdes, as placas beta-amiloides azuis, e os vasos sanguíneos vermelhos.

O pesquisador foi capaz de mostrar que as placas beta-amiloides impedem a transmissão de sinais entre neurônios. “Agora temos a capacidade de imagear esses neurônios e confirmar que eles perdem conexões sinápticas quando estão perto de uma placa beta-amilóide”, comemora.

A Sociedade Americana de Biologia Celular e o Instituto Nacional de Ciências Médicas Gerais organizaram a exposição e solicitaram imagens a pesquisadores. Embora Gogineni duvidasse que a sua fosse aceita, ele achou que poderia ter uma chance em vista de toda a atenção pública dedicada à doença. (Alzheimer é a sexta principal causa de morte nos Estados Unidos e espera-se que esse quadro só piore.)

Gogineni espera que essa experiência ajude a chamar a atenção para pesquisas científicas que estão sendo realizadas em todo mundo. “Em minha opinião, esse é um grande fórum para mostrar às pessoas o quanto a ciência pode ser linda. Além de fazer imagens bonitas, as pessoas podem ver o quanto o imageamento é poderoso quando se trata de fazer avanços médicos”.

Para os que não estarão visitando Washington, D.C., todas as imagens estão disponíveis na exposição on-line Life:Magnified. A mostra se estenderá até novembro deste ano.

Kevin Schultz

A notícia foi postada originalmente em 23 de junho de 2014, em Science Image, no site da Scientific American

Sciam 2 de julho de 2014-07-02

sciambr3jul2014