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Inseticidas comuns e problemas comportamentais

Estudo investiga efeitos de piretroides presentes em mais de 3mil produtos comerciais

Alan Stanton/Flickr
INSETICIDAS DOMÉSTICOS: Existem muito poucos dados sobre os possíveis efeitos à saúde de crianças expostas a piretroides, um dos principais compostos em inseticidas domésticos.
Por Lindsey Konkel e Environmental Health News

Inseticidas domésticos de uso comum podem estar associados a problemas de comportamento em crianças, de acordo com um novo estudo conduzido por pesquisadores de Quebec.

O estudo é um dos primeiros a investigar possíveis efeitos de piretroides na saúde humana. Esses elementos são usados em mais de 3.500 produtos comerciais, incluindo bombas de pulgas e mata-baratas.

As descobertas levantam algumas perguntas a respeito da segurança dos compostos, que substituíram outros inseticidas com riscos conhecidos ao desenvolvimento cerebral de crianças. A exposição a piretroides, que matam insetos ao interferir com seu sistema nervoso, é comum porque esses produtos são usados dentro de casas e escolas, em programas municipais de controle de mosquitos e em fazendas.

No estudo, a urina de 779 crianças canadenses com idades entre seis e 11 anos foi testada, e seus pais responderam perguntas a respeito do comportamento de cada criança.

Noventa e sete porcento das crianças tinham traços de subprodutos de piretroides em sua urina, e 91% delas tinham traços de organofosfatos, outra classe de pesticidas.

Um aumento de 10 vezes em um produto da quebra de piretroides em níveis urinários, o cis-DCCA, foi associado com o dobro de chances de uma criança ter uma pontuação alta em problemas comportamentais relatados por pais, como falta de atenção e hiperatividade.

Outro produto da quebra, o trans-DCCA, também foi associado a mais problemas comportamentais, apesar de a associação não ser estatisticamente significativa, o que significa que a descoberta pode se dever ao acaso. Os produtos da quebra, trans- e cis-DCCA, são específicos de certos piretroides: permetrina, cipermetrina e ciflutrina. 

Nenhuma ligação foi encontrada entre pontuações comportamentais e níveis de produtos da quebra de organofosfatos.

Os pesquisadores relataram que existem poucos estudos investigando os resultados neurocomportamentais associados a piretroides.

O uso de piretroides aumentou dramaticamente nos últimos anos porque eles substituíram pesticidas de organofosfatos, que estão desaparecendo devido a preocupações com a saúde infantil. A exposição prenatal a organofosfatos foi ligada a atrasos no desenvolvimento neurológico, pontuações de QI mais baixas e problemas de atenção.

A permetrina e outros piretroides foram muito elogiadas como sendo mais seguros que organofosfatos, por serem uma adaptação sintética de um composto encontrado naturalmente em crisântemos.

Mas existem muito poucos dados sobre os possíveis efeitos de piretroides sobre a saúde de crianças. Um estudo com 348 pares de mães e filhos na Cidade de Nova York encontrou taxas mais baixas de desenvolvimento em bebês que tinham sido expostos a piretroides ainda no ventre. Em estudos com animais jovens de laboratório, níveis baixos de alguns piretroides afetaram o desenvolvimento do sistema nervoso.

“Crianças são as mais ameaçadas pela toxicidade de pesticidas porque o cérebro em desenvolvimento é mais suscetível a neurotoxinas, e porque elas (as crianças) interagem com o ambiente de maneiras específicas, como o comportamento frequente de levar a mão à boca, e brincadeiras fora de casa”, escreveram os autores do estudo.

Uma limitação do estudo foi o pequeno número de crianças que tiveram pontuação alta para problemas comportamentais – apenas 69, ou 6,8% de todos os amostrados. Pesticidas também podem ser metabolizados rapidamente no corpo, então uma única amostra de urina pode não representar adequadamente a exposição de uma criança.

O estudo não prova que piretroides provocam problemas comportamentais, mas os autores declararam que suas descobertas sugerem que mais pesquisas são necessárias para determinar seus possíveis efeitos em crianças.

Este artigo foi originalmente publicado em Environmental Health News, uma fonte de notícias publicada por Environmental Health Sciences, uma empresa de mídia sem fins lucrativos.