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Instituto de Estudos Avançados da USP sediou seminário “O Futuro dos Oceanos”

Evento foi parceria entre Instituto Oceanográfico USP e Scientific American Brasil, e debateu desafios para a conservação dos mares

Carolina Marcheti

Da esquerda para a direita: Ary Plonski (IEA), Maximiliano Lombardo (Unesco) , Alfredo Nastari (Scientific American) e Alexander Turra (IO-USP).

Na sexta-feira, 8 de junho, dia mundial dos oceanos, o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP sediou o seminário "O Futuro dos Oceanos", uma parceria entre Scientific American Brasil, o Instituto Oceanográfico (IO) da USP e o IEA. O seminário consistiu de quatro mesas redondas onde cientistas, representantes de ONGs e do poder público apresentaram os principais desafios ambientais ligados aos mares, e os caminhos para a sua superação.

A primeira mesa intitulou-se "Os Oceanos e as mudanças climáticas: impactos, interações e consequências". O pesquisador Tércio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, partiu dos dados do mais recente relatório do IPCC para apresentar o aumento das temperaturas dos oceanos e o crescimento da concentração de CO2, medida em partes por milhão, desde os anos 1960. Margareth Copertino, do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande, chamou atenção para o dado de que os oceanos absorvem 93% da energia térmica terrestre, o que está ocasionando mudanças na distribuição tradicional de vários organismos marinhos pelos mares. Representando o Ministério do Meio ambiente (MMA), Régis Pinto de Lima apresentou o novo projeto PROCOSTA, que compreende várias iniciativas para preservar a linha costeira brasileira, ameaçada tanto por ações antrópicas quanto pelas mudanças climáticas.

No segundo painel, intitulado "Vida marinha: como deter a desertificação em curso", Cintia Miyaji, da Associação Brasileira pela Pesca Sustentável, comentou a situação de exaustão dos estoques pesqueiros e os problemas ambientais apresentados pela aquicultura, que parecia ser uma solução de baixo impacto para a pesca selvagem. Marcelo Kitahara, da UNIFESP, tratou dos danos criados por  espécies exóticas como o Coral Sol, que está sendo removido de Alcatrazes pois muda a paisagem marinha. Letícia Reis de Carvalho (MMA) abordou a ameaça dos microplásticos não visíveis e compartilhou sua visão de que não há falta de recursos mas sim de eficiência para captá-los.

Após o intervalo, ocorreu o lançamento de livros ligados a temática. O "Glossário de Termos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 14 - Sistema ONU no Brasil", possui todos os verbetes dos ODS e aborda a temática ambiental sempre em eqiolíbrio com os âmbitos social e econômico. Depois ocorreu o lançamento em português do "Resumo Executivo do Relatório Mundial sobre a Ciência Oceânica" - Representação da UNESCO no Brasil, que descreve como e quais instituições estão trabalhando com as ciências oceânicas e como sua atividade afeta as políticas públicas. Também foi lançado o livro "Rumos da Sustentabilidade Costeira", que se foca na Baía do Araçá, no litoral de São Paulo, e discute como é possível preservar a Baía e expandir o Porto de São Sebastião ao mesmo tempo.

Na terceira mesa, intitulada “Áreas marinhas protegidas: desafios e perspectivas”, os convidados concordaram que o Brasil conseguiu obter avanços nos cuidados com a biodiversidade. Ana Paula Leite Prates (MMA) tratou da Convenção da Diversidade Biológica  (CDB), um importante tratado das Nações Unidas implementado pelo Ministério do Meio Ambiente. A partir disso, o MMA criou um portal para incentivar o uso de tecnologias essenciais para a conservação e uso sustentável da biodiversidade brasileira. Ana Carolina Lobo, do  World Wildlife Fund (WWF), apresentou as iniciativas do WWF para promover a reciclagem de materiais plásticos, a fim de que eles não acabem no mar. Um desses exemplos foi uma máquina doada a uma favela de São Paulo que coleta o plástico e o transforma em um souvenir. Esse programa ajuda os moradores locais, que conseguem vender a lembrança por 15 reais gerando emprego, renda e consciência para essas comunidades. Leandra Gonçalvez, do Instituto Oceanográfico da USP, discutiu, entre outras coisas, como seria possível realizar projetos para além da jurisdição nacional e contou como há propostas de tratados para  que países com mais recursos possam intervir na biodiversidade de outros Estados. Warwick Manfrinato, do IEA, tratou da Reserva da Biosfera, um instrumento de conservação da UNESCO para descobrir soluções ambientais. De acordo com ele, a sociedade civil tem que lutar por esse direito, mencioná-la em trabalhos acadêmicos e cobrar o Itamaraty. Warwick acredita que é ocupando o espaço que a sociedade acaba com a crise de representatividade em que vivemos.

A mesa final, “Soluções para um mar sem lixo”, contou com Alexander Turra (IO-USP), organizador do evento, que ressaltou as complexidades envolvidas na formulação de políticas públicas efetivas para a diminuição  do lixo nos oceanos. Miguel Bahiense, representante do Fórum Setorial dos Plásticos (Plastivida), lembrou do papel das empresas na estimulação à reciclagem e na criação de estratégias para evitar que o lixo desemboque no mar, enfatizando a importância de mudar a mente da sociedade através da educação. Régis Pinto de Lima (MMA) mencionou a importância dos eventos internacionais para que as sociedades tenham meios de pressionar o poder público por melhorias.

Carolina Marcheti

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