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Interpol contra pesca ilegal e fraude

O alvo da cooperação entre polícias inclui financiamento ilegal a rótulos enganadores

P. Jirawat/Shutterstock
Por Alister Doyle, Correspondente de Meio Ambiente

OSLO (Reuters) – A Interpol lançou uma operação global na terça-feira pra combater pescas ilegais estimadasem até US$ 23 bilhões anuais que também tentará evitar fraudes com frutos do mar comparáveis ao escândalo europeu da carne de cavalo que foi vendida como bife.

A agência de polícia de 190 nações, com sede na França, declarou que promoverá um maior compartilhamento de inteligência para por fim à pesca ilegal que frequentemente é conduzida por traineiras muito longe de seus portos de origem, especialmente em nações em desenvolvimento.

“Os peixes do mundo estão sendo esgotados rapidamente, e espécies valiosas estão se aproximando da extinção”, declarou a Interpol em relação ao novo projeto, conhecido como Scale, que aumentará a cooperação entre forças de polícia do Pacífico Sul ao Oceano Ártico.

“A última década assistiu a um aumento de redes criminosas transnacionais e organizadas engajadas em crimes de pescaria”, dizia a declaração.

“O combate à pesca ilegal não se limita a pegar pessoas em barcos”, explicou à Reuters o diretor do Programa de Crimes Ambientais da Interpol, David Higgins, observando que isso envolve tudo, desde financiamento ilegal a rótulos enganadores.

Ele declarou que consumidores deveriam ser mais exigentes, em parte porque o escândalo da carne europeia expôs o quanto é fácil fazer a carne de cavalo se passar por cortes mais caros.

“Será que o supermercado pode garantir a origem do peixe?”, perguntou ele por telefone. “Eu perguntaria: ‘de onde vêm seus espetinhos?’”.

Um estudo publicado na semana passada pelo grupo de conservação marinha Oceana descobriu que um terço de mais 1200 amostras de peixe em quase 700 pontos de venda dos Estados Unidos tinha rótulos errados.

A Interpol trabalhará no novo projeto, que tem um financiamento anual de 300 mil euros (US$396400), com a Pew Charitable Trust e o governo da Noruega. Parte do plano será montar um grupo de trabalho a pescarias criminosas.

TRAINEIRAS

“Acredita-se que um quinto de todos os peixes capturados são ilegais, não relatados, ou sem regulamentações”, declarou à Reuters Anthony Long, diretor da campanha da Pew Charitable Trust para por fim à pesca ilegal.

Um estudo publicado em 2009 estimou que a pesca ilegal valia entre US$10 e US$23,5 bilhões anuais. 

Long declarou que o problema estava piorando porque novas tecnologias permitem que barcos de pesca fiquem no mar por mais tempo e façam arrastões cada vez mais profundos. Tripulações são frequentemente mantidas em condições de escravidão.

“E nós temos que garantir que rótulos enganadores não existam no mundo da pesca”, adicionou ele.

A poluição e a mudança climática podem estar piorando as coisas para pescarias.

“Inibir a pesca ilegal é um passo fundamental para restaurar a saúde ecológica dos oceanos do mundo”, lembrou o ex-presidente da Costa Rica, Jose Maria Figueres, co-diretor da Comissão Oceânica Global, que também está procurando maneiras de salvar os peixes.

 (Editado por Andrew Heavens)